terça-feira, 19 de abril de 2016

Internet ilimitada nunca existiu

O que a Anatel está a fazer com o consumidor com a diminuição da quantidade de dados que um uma dada conexão pode fazer nada mais é que atender um desejo das operadoras de aumentarem seus lucros.

E da maneira mais fácil e simples, sem investimentos, sem melhorias, apenas oferecendo menos por mais: isso mesmo, há uma majoração do preço de cada byte baixado pelo usuário sem qualquer justificativa que não a ganância das operadoras.

E não, NUNCA HOUVE INTERNET ILIMITADA! É uma baboseira, uma burrice dizer que antes era ilimitada: a velocidade de conexão, como a vazão de uma torneira, era o limitava o que conexão poderia baixar, quanto mais alta, mais dados. Sempre foi assim, nunca houve nenhum plano ilimitado em nenhum lugar do mundo porque não existe velocidade de conexão ilimitada. Portanto, as pessoas devem parar de acreditar nessa idiotice.

As operadoras não vão oferecer o mesmo serviço: vão oferecer bem menos por um preço bem superior. E a Anatel as apoia. Ora, não uma agência reguladora?

Bem, ao que parece somos todos idiotas e a Anatel é uma agência das operadoras, não para regular de acordo como a necessidade da sociedade ou do cidadão, mas com a necessidade da Operadora.

E o consumidor ainda tem que aguentar o presidente da Anatel a dizer sandices, dizendo que não há rede para todos. É uma idiotice sem tamanho: o modelo proposto, no qual se oferece menos por mais (uma zombaria ao consumidor), foi implementado recentemente e antes havia capacidade instalada para todos.

Acaso a capacidade diminuiu? Não. O que aconteceu é que as operadoras  (que também vendem  TV por assinatura) querem faturar mais, notadamente sobre o consumidor e sobre empresas que fornecem streaming de vídeos, do Youtube, Netflix e a aquela universidade que oferece cursos online.

E quem se dá mal? O consumidor. As operadoras terão de investir bem menos, terão lucros majorados e ao mesmo tempo em que a despesa irá cair. O consumidor, por outro lado, não poderá mais ver vídeos como antes, não poderá fazer cursos online como antes, não poderá baixar programas como antes — a vida de quem vive de freela, trabalhando com a web, será bem prejudicada —enfim, é um jogo que somente as operadoras ganham. Você perde. Sempre.


quinta-feira, 10 de março de 2016

Sílvio Costa



A Câmara dos Deputados é surpreendente. As verdades sobre a oposição de direita vem de onde menos se espera.
Publicado por Jean Wyllys no dia nove de março de 2016.


Sobre as tolices da oposição política à direita na Congresso Federal, o deputado Sílvio Costa, do PT do B de Pernambuco, tem algumas palavras muito interessantes. Inclusive a de recomendar à presidente Dilma Rousseff que faça as viagens oficiais não em avião, mas no lombo de jumento, em homenagem à própria oposição [dada a obtusa crítica da presidente a fazer uma viagem em avião oficial para São Paulo em visita ao ex-presidente Lula: imagine a chefe do executivo fazendo viagens em voo de carreira?].

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Obtusidade econômica e cinematográfica


O mesmo embotamento intelectual característico da direita política está a se tornar algo bastante comum na esquerda. A estupidez, outrora vista como privilégio da direita está a se ramificar a passos largos pelo chamado campo progressista, a esquerda, com qual, não obstante essa mazela, o autor destas linhas se identifica. Veja-se pois um exemplo disto:



O raciocínio presente no fragmento do vídeo acima estaria correto se:
  1. Usássemos o ouro (ou qualquer outro metal) como unidade de valor, isto é, como moeda, meio de troca exclusivo; e

  2. Todas a reservas do mundo (me refiro ao universo) desse metal estivessem esgotadas e não usássemos nenhum outro metal, ao contrário dos tempos de Pitágoras, como a prata, bronze, cobre ou papel como meio circulante, tal qual se faz hoje, tendo-se, então uma oferta absolutamente fixa do meio de troca, a moeda.
Assumindo essas duas premissas, o tipo do vídeo está certo. Mas nesse caso, como nos tempos de Pitágoras, não precisaríamos de bancos. Também não existiria inflação, ao contrário dos tempos de Pitágoras, onde se podia, ainda, buscar por mais ouro, seja por pilhagem de outras cidades, impérios, etc., ou pela exploração de minas.

Mas ainda existiria um problema, o qual no vídeo acima não é relatado: a criação de valor, a mais valia.

Ora, se o meio circulante tem oferta fixa e os indivíduos continuam a trabalhar, há deflação dada a maior oferta de valor em bens/serviços. Por isso que ninguém gosta de deflação: ou alguém topa receber cada vez menos pelo que faz?

E é isso que faz o papel moeda interessante: como sua oferta é controlada pelos BC's e seu valor é garantido por uma convenção (com força de lei), a coisa fica mais complicada - e muito mais em países que viveram surtos hiperinflacionários, como o caso da Alemanha na década de vinte do século XX ou o Brasil ao cabo do mesmo século: afinal, se a oferta de moeda (nesse caso, papel moeda) é abundante, o preço nominal de bens e serviços têm tendência à alta frente a moeda. E isto é acentuado quando um Estado não tem meios de honrar suas contas e, simplesmente, imprime cada vez mais dinheiro para pagar seus compromissos, levando à queda do seu valor frente aos bens produzidos num dado momento. A questão é ainda mais perniciosa porque o papel é um material potencialmente infinito. A Alemanha, no início do século XX, teve um surto inflacionário tal que calculava o preço das mercadorias pelo peso do dinheiro.

Os bancos centrais mundo afora têm o papel bastante específico de regular a oferta de dinheiro, ao fazê-lo conforme o crescimento econômico como um todo e pela oferta de crédito, regulando os bancos (não que seu papel seja, como se faz no Brasil, basicamente controlar a inflação naquele regime tacanho de metas de inflação, onde se usa como única ferramenta a taxa de juros referencial para controle da oferta de dinheiro).

A questão que o vídeo não dá conta,  seja na Espanha, Portugal, Grécia ou Brasil, além dos EUA, é termos o setor financeiro (des)regulado de modo a fazer a sociedade funcionar como um imenso mecanismo de transferência de valor, na forma de rendas, do setor produtivo ao financeiro.

Por sistema produtivo me refiro basicamente ao assalariado ou ao tipo que se acha muita coisa (se identificando com a burguesia) e, ainda assim, depende do basicamente do seu trabalho. As corporações ajustaram aos novos tempos e elas têm um ganho financeiro espetacular exatamente por operarem como bancos: financiar seus produtos é mais rentável que vendê-los diretamente ou a fazer outras patifarias: basta recordar idiotas na Sadia que, tempos atrás, resolveram fazer um dinheiro fácil no mercado de derivativos norte-americano poucos tempo antes da crise de 2008.

A mercadoria 'derivativo' é uma indecência (e não mudou muita coisa de 2008 pra cá, os bancos continuam a fazer pilantragens), a Sadia quase faliu, foi encampada pela Perdigão e ainda teve parvos a dizer que a Sadia tinha uma 'vocação financeira' (quando existia vários outros meios de ter ganhos financeiros, como, por exemplo, seu congêneres norte-americanos fazem: escorchando seus fornecedores via contratos fixos e metas elásticas, no qual o tipo se endivida com a empresa e, se não pagar, a empresa encampa a granja e arrenda ao seu antigo dono: a perfeição da desregulamentação financeira): uma empresa maior pode fazer o que bem entende, dada a assimetria de poder econômico, com seus fornecedores numa ponta e com os consumidores na outra.

Tendência à rapinagem todo mundo tem. A questão é que o sistema financeiro tem de ser rigorosamente regulado: desde os anos setenta, porém, (consistente com os EUA finalmente acabarem com conversibilidade ouro/dólar) ele vem sendo desregulado e se tem o que aí está: países inteiros a trabalhar para enriquecer banqueiros, desigualdade e concentração de renda cada vez maiores - onde o 1% mais rico no mundo detém mais riqueza que os 99% restantes - e um vídeo, perdoem a rudeza, estúpido como esse: trata a oferta monetária como fixa e põe a culpa nos bancos de maneira absolutamente infantil. Ainda mais quando a moeda, o referencial de valor, é feito da mesma matéria prima potencialmente infinita com a qual se faz seu congênere muito menos nobre e romantizado, mas talvez mais útil: o papel higiênico, presente em quase todos os banheiros do mundo a limpar cotidianamente a bunda das pessoas.

O problema presente é de ordem política: foi por ela que se permitiu a desregulação dos mercados e é por ela que se mudará tal quadro. E não por uma interpretação bisonha como esta bizarramente presente num trabalho audiovisual: será que atores, produtores, roteiristas, cenógrafos, toda aquela imensa equipe destinada a esse tipo de produção não percebeu a obtusidade? E ainda com o uso infame do nome de Pitágoras num contexto absurdo?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Por que falar de Vargas?

Em 2004, quando dos cinquenta anos da morte de Vargas, a AEPET, Associação dos engenheiros da Petrobrás, publicou um texto homenageando-o. As mesmas perseguições que Vargas e, depois, Juscelino sofreram estão presentes hoje, talvez de forma mais acintosa e grotesca.

Grotesca porque, apesar da concentração dos grupos de mídia e sua ação cuidadosamente orquestrada, visa em boa parte mascarar as enrascadas que a própria direita se envolve, como o fato de, por exemplo, Aécio Neves ter sido citado no Circo da Lava Jato e sequer ter sido investigado: ao contrário se preferiu 'investigar' uma canoa de lata de quatro mil reais de Lula e as cebolinhas cultivadas na horta do sítio que não é dele. Mas o que se sabe sobre a meia tonelada de pasta base de cocaína no helicóptero dos Perrela? E o terço do Aécio? A PF, o MPF e o Judiciário tomam partido por traficantes engravatados contra líderes trabalhistas? Ordenam prender um tipo que já está preso (Dirceu)?

A mídia, em conluio agentes públicos tresloucados, que vazam o que lhes convém para criar um factoide por dia, une o insulto à injúria: com perdas e danos. Ano a ano meios noticiosos alternativos crescem e ganham credibilidade, algo que na empresa oligopolista tradicional se dá inversamente: os outrora grandes jornais perdem 10% de suas tiragens ano a ano e ainda conseguem perder relevância inclusive na web dado seu afã na desinformação golpista. O mesmo sucede na mídia televisiva. Não se pode, porém, pensar que esse conluio está fadado ao fracasso. A perda de prestígio relativa os fazem tomar um curso de ação desesperado, com o judiciário não a seguir a pauta midiática, mas por vazamentos altamente seletivos e literariamente engenhosos, ordenar que se prenda alguém que, dias antes havia se oferecido voluntariamente para depor. Nem O Processo de Kakfa foi tão engenhoso.

Como disse um tipo arguto hoje: estamos no pior momento desde o AI-5. Pouco a pouco, nesse afã golpista, os direitos constitucionais estão a ser tolhidos sob as barbas do MPF e do Judiciário, que deveria ser seu defensor.



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Voto impresso, por que não?

Depois de um longo tempo volto aqui dada a discussão sobre a segurança do voto eletrônico e o retrocesso da sua versão impressa. Algumas conjecturas importantes ocorreram-me. E é bastante plausível que o voto impresso não se trate de um retrocesso.

Urna com voto eletrônico impresso

Afinal, se sistemas eletrônicos são seguros, por que os governos russo, chinês, israelense, iraniano e norte-americano preferem um tipo de tática, a guerra cibernética, para tirarem vantagem uns dos outros? Não foi assim que os chineses conseguiram os 'blue prints' do Lockheed-Martin F-35 (que nem está operacional ainda!) e os códigos de seus softwares?

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que os iranianos, que o Ocidente e a mídia lacaia os tomam por broncos, conseguem interceptar, controlar, pousar e, maravilhas, fazer uma cópia por engenharia reversa de um drone: o Lockeed-Martin RQ-170, o mais secreto e furtivo de todos os drones já produzidos pelos EUA?

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que no cotidiano pedestre as pessoas vivem a ser presas fáceis de especialistas em eletrônica tão hábeis em burlar a segurança de certos programas/sistemas? O sequestro de dados, afinal, tem se mostrado uma profícua atividade de pessoas inteligentes e elástica moral.

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que as forças militares de certos países são tão proficientes em desenvolver equipamentos Elint (covert intelligence-gathering by electronic means) e ECM (electronic countermeasure)? Russos e israelenses são especialmente capazes nisso, os primeiros têm até, em seu arsenal, bombas de pulso eletromagnético, capazes, sem nenhuma gota de sangue, de inutilizar qualquer equipamento eletrônico. E, curioso, os norte-americanos têm versões de aviões militares especialmente dedicados à guerra eletrônica há muito tempo, como o EA-6B Prowler, o EF-111A Raven e, desde 2009, o EA-18G Growler, baseado no F/A-18E, aquele mesmo que, entre outros, perdeu a concorrência FX-2.

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que desde os anos de 1930, há mais de oito décadas, as potências militares desenvolvem modos de encriptar suas comunicações? A Enigma alemã, largamente usada na Segunda Guerra Mundial e a sua decriptadora, a Ultra, são exemplos bem claros. Alan Turing protagoniza tal processo dramatizado num  belo filme, The imitation game, com Benedict Cumberbatch como Turing - recomendo a toda gente (se alguém viu, veja novamente). Ademais, as máquinas de Turing, depois conhecidas como computadores, nascem exatamente da necessidade buscar uma falha, ou seja, quebrar um código! A Apple em seu logotipo homenageia Turing: uma maçã, talvez envenenada, foi a última coisa que ele comeu.

É da natureza de todo sistema eletrônico a vulnerabilidade e a propensão a falhas (coisas que são reconhecidas em contrato, vide, por exemplo, o seu contrato de uso do MS Windows ou qualquer 'termos e seviços' de porcarias eletrônicas, do seu e-mail ao seu 'internet banking').

Dito isso, não se pode confiar naqueles que dizem que o voto inteiramente eletrônico, sem versão impressa aferível, é seguro. Os que advogam isso não estão apenas desinformados: eles têm um interesse mascarado. Somente uma pessoa incapaz intelectualmente não percebe a natureza dessa 'polêmica' A questão é fundamental, afinal se trata da segurança do processo político e democrático de uma nação de mais de duzentos milhões.

Não há sistema eletrônico online invulnerável. Se alguém diz que existe é um doido de pedra, um ingênuo ou um sobejo canalha - como tantos na imprensa e, provavelmente, na Justiça Federal.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Entreguismo: o jeito tucano de se fazer política

Entreguismo é a maneira pela qual se entrega riquezas de um país, isto é, seus recursos naturais, empresas e o que mais for possível à exploração de multinacionais, englobando também acordos benéficos a entes alienígenas aos interesses nacionais. Há argumentos vários para sua defesa, a maior parte deles baseados em posições que poderiam ser ditas como ideológicas no seu sentido forte, isto é, posições que dependem do falseamento da realidade para serem defensáveis.

O mais recente deles é a defesa do regime de concessão feito pelos tucanos na presente disputa eleitoral contra o sistema de partilha para a exploração do pré-sal. Esta é a maior reserva de petróleo descoberta nas últimas duas décadas. Trata-se de uma riqueza sem par que é propriedade de todos os brasileiros.

No entanto, os tucanos vivem a dizer que o Brasil não tem tal ou qual capacidade de investimento. Diziam até recentemente que não se podia fabricar uma plataforma de exploração de petróleo no Brasil. Veio o governo Lula para e disse o contrário — e mais importante, fez o contrário: começou-se a fabricar plataformas de exploração aqui e não algures no Canadá, Coreia ou Cingapura.

Hoje, na Folha de São Paulo, Luis Paulo Vellozo Lucas, do PSDB, disse que a Petrobrás não tem dinheiro para explorar o pré-sal e tampouco o Estado Brasileiro.  Esse mesmo partido, na voz de outros representantes seus, dizia que a economia brasileira não poderia crescer mais que 4% ao ano. Este ano, 2010, o Brasil crescerá 7,5% de acordo com as projeções. O PSDB defendia o arrocho das contas públicas e a austeridade fiscal quando veio a crise de 2009, a pior crise do mundo capitalista desde 1929. E o que o governo Lula fez? Exatamente o contrário. Para evitar a depressão econômica, promoveu políticas anticíclicas e a gigantesca crise econômica converteu-se aqui em uma insípida marolinha.

Em um passado recente, nos anos de 1997 e 1998, qualquer crise econômica regional, como foram as dos chamados tigres asiáticos e a da Rússia, repercutiam de maneira violenta no Brasil graças à posição de vulnerabilidade que o PSDB, chefiado pelo deslumbrado FHC, colocou o Brasil. A venda do patrimônio público brasileiro promovida pelo governo tucano, num abjeto desmonte do Estado,  não foi o meio para evitar tais desastres. Ao contrário, foi a maneira pela qual tais crises se intensificaram, pois diminuía a capacidade de ação e decisão nacional em cenários econômicos adversos. A falta de investimento público piorava desmedidamente as possibilidades de recuperação que só não eram piores dado o já enorme mercado interno.

Agora os tucanos voltam à carga defendendo o que existe de mais abjeto para o interesse nacional: a venda do patrimônio brasileiro aos estrangeiros por mais uma vez. Já não estão fartos disso? Não se fartaram de financiar as privatizações de empresas brasileiras com o dinheiro público? Sim, esses políticos tucanos, num ímpeto de rapinagem não só venderam as estatais, como financiaram a venda delas a entes estrangeiros com dinheiro do BNDES! Há maior descaramento? E querem voltar a defender tais absurdos. O PSDB representa o entreguismo no estado da arte. Venderam, por exemplo, a Vale do Rio Doce por 3,3 bilhões de dólares e hoje, misteriosamente, ela vale mais de 150 bilhões? Essa majoração do seu preço não se dá apenas porque ela “cresceu”, ou porque as vendas de minério aumentaram mais de 125% (o valor da empresa aumentou em mais de 45 vezes!), mas fundamentalmente porque ela foi vendida por um preço muito aquém do seu valor de mercado.

Os tucanos vem agora defender que a Petrobrás não dinheiro para investir no pré-sal. Ora, se não tem, que acumule-se capital e divisas o suficiente para que se possa investir. E o governo do PT é exemplar nesse aspecto. A Petrobrás valia cerca de 15 bilhões de dólares em 2002. Hoje vale perto de trezentos bilhões. Como se faz isso? Investindo.

Mas os tucanos dizem que ela não tem dinheiro como justificativa para ceder a patrimônio do brasileiro aos estrangeiros. Se não tem capital para investir, é muito simples: faça os investimentos de maneira mais lenta. Mas não, os tucanos preferem entregar a riqueza para as empresas estrangeiras, as quais, como é costumeiro, vão sugar os poços da maneira que melhor lhe aprouver, uma vez que eles defendem, também, o sistema de concessão e não de partilha. Na concessão, paga-se à União uma taxa pela exploração de determinada área sem exigir qualquer tipo de contrapartida. A partilha, pelo contrário, diz que deverá ser paga uma taxa inicial pela exploração do posso, mas o Estado participará do processo de exploração com a Petrobrás, associada ou não a empresas estrangeiras, decidindo como será feito o beneficiamento e venda dos produtos gerados pelo petróleo. E, demais, há ainda a criação de um fundo social para garantir a distribuição dessas riquezas.

Dito de maneira mais simples: o sistema de partilha não irá vedar a entrada de empresas estrangeiras no pré-sal. Portanto não faltará capital. É falácia, mentira deslavada tucana para vender o patrimônio do brasileiro. O mais importante do sistema de partilha é que o Brasil terá a palavra final sobre como será feita exploração de petróleo e assim o será para garantir o interesse nacional, o interesse do brasileiro.  Por que os tucanos não defendem algo tão razoável? Ora, é de se supor que eles tenham muito a ganhar, afinal não é deles que parte a afirmativa de que fizeram a privatização no limite da irresponsabilidade? E essa gente quer presidir o Brasil
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Negam que queriam privatizar a Petrobrás, tentaram mesmo mudar o nome e, como se pode ver no meu post anterior, há fortes e claras evidências de que queriam vendê-la. Pensam apenas em termos de rentabilidade empresarial. Esquecem-se que uma estatal é uma ferramenta para o desenvolvimento nacional. Visão baça pelo característico entreguismo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Surrealismo político

Às vezes se tem a impressão de que a campanha política do PSDB não é efetivamente o que é. Não parece ter a ver com disputa eleitoral. É muito mais próxima de uma peça, filme ou, melhor, da produção de um documentário surreal. Tanto é, que a atual campanha tem deixado atônitas pessoas que estão acostumadas a acompanhar o jogo político brasileiro.

A capa da revista Isto É desta semana, uma releitura da capa da revista tucana par excellence, Veja, de semanas atrás é exemplar. A reportagem, como não poderia deixar de ser, também o é. Trata-se do desmentido sobre Serra conhecer ou não Paulo Vieira de Souza ou simplesmente Paulo Preto. A revista Carta Capital publicou uma matéria sobre essa figura que causa dilemas na cabeça de José Serra.

Hoje o cientista político Bolívar Lamounier, mais uma vez, deixou de lado qualquer pretensão de fazer um comentário matizado pela sua profissão. No lugar de tentar enquadrar a realidade com os móveis que a Ciência Política tem, Lamounier joga para a sua torcida, azul e amarela de bico grande. Em vez de tentar fazer ciência, desiste e faz propaganda política. A miopia de Lamounier no seu ímpeto tucano é tão acentuada que ele confunde o carisma de Lula, assim como as ações objetivas em prol das populações carentes do nordeste, com messianismo religioso. Miopia maior, descaramento maior, é raro de ser superado. No entanto, há quem supere. José Álvaro Moisés que o diga. Deixou de fazer ciência política para alardear uma posição política em que salta vista um ressentimento abjeto, franco e descarado. Ciúmes do poder.

Continuando com o surreal: o santinho de Serra com os dizeres "Jesus é a verdade e a justiça" é como um tiro no pé. A campanha tucana ainda não percebeu que o eleitorado pode vir a ter uma percepção assaz diferente desse tipo de aproximação religiosa. Crentes de qualquer fé, de uma maneira geral, não gostam que usem a sua fé para uma finalidade terrena. Serra, sem se dar conta, faz algo que nenhum religioso gosta: profanar o sagrado.

Para uma percepção mais cristalina da questão e dessa criação artificial de um canditato, há um interessante artigo publicado no Brasília Confidencial, "Quando a biografia diz não", basta clicar e seguir a ligação.

Por fim, os vídeos abaixo, nos quais a Prof.ª Marilena Chauí tece comentários bastante qualificados sobre o que Serra e os tucanos representam. Assistam. Os vídeos são curtos e assertivos.







Post Script


Há uma coisa importante. FHC disse que não privatizaria a Petrobrás de forma nenhuma, depois que foi citada a presença de David Zylversztajn, ex-genro de FHC, como assessor para área de energia de Serra. FHC, parlapatão que é, nega também que o PSDB queira privatizar o pré-sal, para além da própria Petrobrás e que jamais isso foi cogitado. Embuste, puro e simples, no melhor estilo serrista. A cópia da matéria da revista Veja (ao lado), mostra que as coisas não eram bem assim. Fico a dever a data da revista na qual ela foi publicada. No entanto, a retirei do Blog do Nassif. E sua credibilidade fala por si. Lá, também, encontrei mais uma outra imagem, que desmente de modo ainda mais claro as afimarções dos tucanos. Fala claramente da privatização dos bancos federais, Caixa Econômica, Banco do Brasil e, o que é de pasmar, BNDES - o maior banco de fomento do mundo e peça imprescindível ao desenvolvimento econômico brasileiro. Ao fim do texto, há uma menção que não se presta à confusões de que a Petrobrás também seria vendida.

Apenas para reiterar o que já foi dito: a campanha do PSDB/DEM apela para a mentira em larga escala sem se dar ao luxo ter um  mínimo de sutileza. A cobertura da imprensa, amplamente favorável, ajuda muito nesse comportamento. E assume um tons e nuances inacreditáveis. A entrevista de Maria Rita Kehl  ex-colunista do Estado de São Paulo, dada à revista Carta Capital é exemplar ao comentar o tom e tipo de perseguição que se faz, dentro das empresas de imprensa, às vozes dissonantes.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Indicadores de poluição

Foi publicado recentemente nos jornais uma pesquisa sobre os indicadores de sustentabilidade, o chamado IDS 2010 (indicadores de desenvolvimento sustentável) do IBGE. O quenão saiu, em nenhum deles, foi a referência à pesquisa, tampouco a reprodução de dados mais abrangentes, o que é pena, pois a pesquisa perde em visibilidade.

Atentaram principalmente ao fato de que a cidade de São Paulo não é a mais poluída entre as pesquisadas. A mídia noticiou e deu relevo apenas aos índices bombásticos, isto é, aos que renderiam manchete. Vale a pena conferir a íntegra que está aqui.

Demais, depois de ler um bom número de referências à publicação do IBGE, notei que em nenhuma delas (e li apenas texto na internet), exceto a publicações institucionais do Estado, havia a ligação para a página do IBGE com a publicação, disponível para ser baixada na íntegra.

domingo, 12 de setembro de 2010

Notas sobre a imprensa

Como disse no texto anterior, pode-se observar uma crise institucional da imprensa, não dela toda, é claro, mas de uma forma peculiar dela, dominante por muito tempo desde o início da era moderna, a imprensa escrita, alastrando-se, provavelmente, nas suas duas variantes surgidas no século XX, o rádio e a televisão. O termo "velha mídia" é acertado para refererir-se a ela, embora eu prefira "velha imprensa" e se opõe a uma forma mais recente de se fazer a imprensa, baseada em um novo encadeamento de relações sociais.

Da perspectiva sociológica, pode-se supor uma nova organização da imprensa, não baseada unicamente  em  empresas privadas, ainda que estas possam oferecer suporte a essa nova forma, que é baseada na credibilidade e competência do jornalista tomado individualmente; é interessante notar que o jornalista por profissão não seja necessário ou obrigatório nessa nova forma. Na prática, qualquer indivíduo pode sê-lo. O meio material da divulgação da informação, como não poderia deixar de ser, é a internet, o que torna completamente dispensável a figura da empresa privada de imprensa, seja ela pública ou privada, uma vez que por custos irrisórios qualquer indivíduo pode ter um blog ou site e escrever o que lhe apetecer.

Daí a hipótese de crise institucional da imprensa, uma vez que, não obstante a existência da empresas de mídia, elas mesmas têm se tornado dispensáveis ou irrelevantes - e isto é especialmente acertado no que diz respeito à imprensa que está baseada no meio impresso; as tiragens das publicações impressas têm seguido uma curva descendente em número, e as empresas responsáveis por elas assumem que podem deixar definitivamente o meio impresso.

Ao limitarem-se apenas à internet, os outrora grandes veículos de mídia competem pelo público de igual para igual com veículos menores e muito mais numerosos. Neste ambiente a característica mais importante é a descentralização, a rapidez do fluxo de informações e uma capacidade de mobilização única em torno de certos tópicos tidos como relevantes. Daí que também a televisão e o rádio também tenham sua importância diminuída, pelo menos relativamente, pois seu dinamismo e velocidade pode ser superado pelos veículos da internet, que, demais, também têm a capacidade de transmissão de áudio e vídeo em tempo real.

Outro ponto importante, é que as empresas de mídia não têm a mesma capacidade de veiculação de notícias, pois estão aferradas a um modelo empresarial hierárquico que tende a controlar, via chefes de redação, o que pode ou não ser publicado, isto é, o que atende ou não aos interesses ou posições editoriais da empresa. Isto as torna, em relação aos novos veículos, mais rígidas e lentas no processo de divulgação de informação.

Tais empresas estão num modelo em que certos tipos de relação de poder, desde a redação, até mesmo a vinculação da empresa a grupos (políticos, econômicos, etc.), estão a perder importância relativa. Pode-se mesmo supor que tais relações estão em vias de desaparecer. Isto talvez demonstre que a organização das empresas de mídia existentes no momento presente sejam baseadas em relações contrárias às novas relações de poder que se originam da situação atual, marcada por uma forte descentralização e dinamismo, e, mais importante, igualdade. O mais importante, porém, é a falta de percepção desses agentes da imprensa baseados nesse "modelo tradicional", de que o mundo que os cerca mudou e as relações de poder nas quais eles outrora eram atores participantes não existem mais ou estão em vias de se tornar radicalmente diferentes.

Repercussão da matéria falaciosa a qual me referi ontem:

O Blog do Nassif publicou uma análise da matéria falaciosa publicada pela revista Veja. Para além da análise, há uma série de textos versando sobre esse tipo de espisódio, em especial o último. Dentre eles: A velha mídia e a representação da opinião pública e O futuro da mídia tucana.

Idelber Avelar publicou também um texto interessante, no qual relata que o Jornal Nacional não repercutiu a notícia publicada pela Veja, tal natureza primária da falsificação nela contida. Nele há indicação para um artigo, desta vez no site Na prática a teoria é outra


sábado, 11 de setembro de 2010

Revista Veja: veículo de imprensa ou cabo eleitoral?

A revista Veja publicou hoje uma manchete bombástica na sua capa, a qual atribui a atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, participação em atividades criminosas.

Erenice Guerra é a sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil. Ela está lá por indicação da candidata à presidência.  A revista Veja viu, no entanto, necessidade de justificar a reportagem de acordo com o que se pode ler no blog de Reinaldo Azevedo:
“A publicação da reportagem a vinte dias do primeiro turno das eleições fará brotar acusações de que o objetivo é prejudicar a candidata oficial, Dilma Rousseff. São especulações inevitáveis. Mas quais seriam as opções? Não publicar? Só publicar depois das eleições? Essas não são opções válidas no mundo do jornalismo responsável, a atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país.”
É interessante notar a justificativa. Não é comum um órgão da mídia tendo de explicar-se por uma matéria — se é relevante, basta publicar. Se a matéria for efetivamente verdadeira, de que fato advém tal necessidade de justificação? Se a justificação é necessária, é de se supor que seus autores tenham consciência de suas ações passadas. Dito de maneira mais rude: se a justificação é necessária, é porque anteriormente a revista colocou em suas páginas reportagens fantasiosas — e, como é provável, com vistas a prejudicar alguém ou certo grupo político.

A revista se desarma. Diz que deve cumprir bem o papel que reserva a si: a  “atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país”. Não é preciso fazer grande esforço para rememorar em que momento a mesma revista deixou de cumprir o “seu” papel.