sexta-feira, 17 de outubro de 2003

Egoísmo nacional

“A essência da política, fundada no egoísmo nacional, é a luta. A paz e a felicidade são ideais infinitos. É uma ato criminoso educar a juventude em um espírito pacifista e na utopia de um mundo melhor. Para manter a cultura alemã em seu alto nível, é preciso adestrar os jovens na luta perpétua e impiedosa do homem contra o homem. A vontade de poder e de dominação não é somente privilégio do estadista, ela também está no centro da vida econômica (capitães da indústria "duros como aço", luta concorrencial, luta de classes, etc.); lá também é o mais forte que vence. E mais, toda civilização nada mais é do que uma “luta”, onde os mais viáveis permanecem e dominam segundo um processo de seleção. Essas categorias explicativas de “luta” e de “seleção” não estão em Weber num sentido biológico darwiniano, mas como em Nietzsche, num sentido moral: a ética da piedade e da não violência é a ideologia dos fracos, dos desfavorecidos pela natureza e pela sociedade — a referência é aos cristãos, aos democratas e aos socialistas — da qual é preciso livrar-se para desenvolver plenamente suas próprias forças, físicas e morais, enquanto homem novo.”

Weber e Nietzsche. Fleischmann, Eugène. in Sociologia: para ler os clássicos. Cohn, Gabriel (org.). Livros Técnicos e Científicos, Rio de Janeiro, 1977, p. 156.

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