terça-feira, 2 de março de 2004

O exterminador de riquezas

O desempenho do PIB de 2003 é apenas a confirmação estatística do que se sabia na prática: o Banco Central foi responsável pelo maior processo de destruição de riqueza nacional que se tem notícia desde o ano o fatídico de 1995.

É inacreditável como um país inteiro pode ficar refém de uma política torta, que se baseia em um modelo teórico questionado, implementada por pessoas sem nenhuma capacidade de observação da realidade, que se movem apenas por manuais de instrução feitos para países com outra voltagem.

Como é que pode, com a dinâmica que esse nível de juros imprime à dívida, que se mantenha a taxa de juros com base em uma ata tão pífia quanto a do Copom? Mantém-se os juros altos para evitar a possibilidade futura de uma volta da inflação, que ninguém consegue enxergar no horizonte.

É bom o governo Lula se precaver. O caso Waldomiro não aumentou o poder discricionário do BC — como supõem alguns pensadores de planilha. Pelo contrário, nos próximos meses haverá um aumento gradativo da pressão política, porque o episódio acabou com o período de carência do governo Lula.

No início do governo não faltaram alertas sobre a política suicida colocada em pauta por esses irresponsáveis — irresponsáveis porque as bombas armadas agora explodirão em um futuro qualquer e não haverá falta de álibis para justificar o desastre.

Agora já se tem claros os resultados dessa loucura: aumentos brutais de impostos, cortes brutais de despesa e nem assim se dando conta da dívida.

Não adianta no futuro descobrir que o governo Lula entregou o BC a um desvairado, como não adianta culpar Gustavo Franco pelo desastre que cometeu à frente do banco: o responsável final é o chefe, Lula, como foi, no governo passado, FHC.

Quando a opinião pública se der conta de que todo o sacrifício da maioria e dos lucros indecentes de uma minoria tiveram como único resultado aumentar a miséria da maioria e os ganhos da minoria e como resultante um país mais pobre e vulnerável, não haverá quem segure a reação.

Por isso mesmo, é hora, mais do que nunca, de José Dirceu curar as feridas, de Antônio Palocci Filho receber uma injeção de bom senso e segurar essa ignorância alucinada do BC enquanto é tempo.

Luís Nassif, Folha de São Paulo, 28/Fev/2004.

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