quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Assertivas

Embotamento

Em um momento qualquer, na megalópole São Paulo, certo indivíduo diz: sinto-me mais próximo culturalmente de um nova-iorquino ou londrino que de um acreano. A recíproca oposta não é verdadeira.

Aqui, ninguém

Numa conversa, numa roda de amigos, o assunto do momento é a ascendência de cada um. Em certo momento, após todos se definirem como italianos, espanhóis, alemães ou mesmo judeus, uma observação faz-se necessária: ninguém aqui é brasileiro. Este é o que pede esmolas no semáforo, que rouba, mata, estupra; é o desdentado, analfabeto, feio, mal vestido, fulô e pobre. O aparente absurdo somente é possível quando a auto-estima nacional não existir, ao ponto de envergonhar a nós mesmos. Dito de outro modo, nos envergonhamos de sermos o que somos.

Embuste


Quando o poder econômico privado é dotado de liberdade de expressão, esta última transforma-se em mera liberdade econômica de agentes econômicos limitados dotados de capacidade de ação irrestrita. Não há pensamento, há apenas “racionalidade econômica”.

...

Se um dado indivíduo acredita que, por uma incompreensível constelação de acontecimentos, nada poderá dar certo no meio social em que vive, a fria racionalidade o orientará retirar-se deste meio. Não obstante, a mesma racionalidade dirá que não existem situações incompreensíveis ou mesmo imutáveis. Este hipotético indivíduo padece, primordialmente, de certa incapacidade cognoscitiva.

Imoral

Certo indivíduo, possível somente em épocas de alto desenvolvimento cultural, defende que é injusto que nos alimentemos de outros animais, porque nisto reside um ato de grande crueldade. No mesmo momento em que atrocidades são cometidas com estes pobres animais, há, sinistramente, milhares de indivíduos submetidos à condições pré-industriais, desde a fome, no seu mais alto grau, o trabalho escravo e privações de toda espécie. A palavra “humano” perdeu o seu sentido.

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