segunda-feira, 13 de março de 2006

Relação social

§ 3 Por “relação” social entendemos o comportamento reciprocamente referido quanto a seu conteúdo de sentido por uma pluralidade de agentes que se orienta por essa referência. A relação social consiste, portanto, completa e exclusivamente na probabilidade de que se aja socialmente numa forma indicável (pelo sentido), não importando, por enquanto, em que se baseia essa probabilidade.

[...]

3. Não se afirma de modo algum que, no caso concreto, os participantes da ação reciprocamente referida ponham o mesmo sentido na relação social ou se adaptem internamente, quanto ao sentido, à atitude do parceiro, que exista, portanto, “reciprocidade” neste sentido da palavra. “Amizade”, “amor”, “piedade”, “fidelidade contratual”, “sentimento de solidariedade nacional”, de um lado, podem encontrar-se do outro lado, com atividades completamente diferentes. Nesse caso, os participantes ligam a suas ações um sentido diverso: a relação é, assim, por ambos os lados, objetivamente “unilateral”. Mas mesmo nessas condições há reciprocidade, na medida em que o agente pressupõe determinada atitude do parceiro perante a própria pessoa (pressuposto talvez completa ou parcialmente errôneo) e orienta por essa expectativa sua ação, o que pode ter, e na maioria das vezes terá, conseqüências para o curso da ação e a forma da relação. Naturalmente, esta é apenas objetivamente “bilateral” quando há “correspondências” quanto ao conteúdo do sentido, segundo as expectativas médias de cada um dos participantes. Por exemplo, quando, diante da atitude do pai, o filho mostra, pelo menos aproximadamente a atitude que o pai (no caso concreto, em média ou tipicamente) espera. Uma relação social baseada plena e inteiramente, quanto ao sentido, em atitude correspondentes por ambos os lados é na realidade um caso-limite. Por outro lado a ausência de bilateralidade somente exclui, segundo nossa terminologia, a existência de uma “relação social” quando tenha conseqüência: que falte de fato uma referência recíproca das ações para ambas as partes. Transições de todas as espécies constituem aqui, como sempre na realidade, a regra e não a exceção.

WEBER, Max. Economia e Sociedade, Brasília, Ed. Universidade Brasília, 2000, p. 16-7.

(Estava faltando a referência, agora aí está.)

Ler o artigo Relação Social de março de 2010 para uma visão geral mais abrangente do conceito.

6 comentários:

  1. Nossa esse site me ajudo muito na minha aula de sociologia
    Muito Obg!

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  2. é mas me ajuou no meu trabalho de escola

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  3. Me ajudou muitooo!
    Tah muito bem explicadoo!

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  4. Mais um comentário da série "comentários bizarros". Visita anônima que faz um elogio no mínimo naify - detalhe é que a visita durou trinta e três segundos. Comentários anônimos de ora em diante estão proibidos.

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