segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Para a crítica metodológica


Theories are nets cast to catch what we call “the world”: to rationalize, to explain and master it. We endeavour to make the mesh ever finer and finer.
— Popper, Karl. Logic of scientific discovery, Lutchinson, London, 1959, p. 59.

Os escritos apresentados aqui, quando não são reproduções de textos alheios e que, por isso, não é possível responsabilizar o autor dessas linhas por eles, a não ser, é claro, pela significância atribuída a eles como dignos de serem lidos ou, ao menos, reproduzidos, têm ao menos dois aspectos que devem ser observados criticamente.
O primeiro deles é que provavelmente, em vista da formação sociológica do autor, serão, por assim dizer, dotados de um caráter provisório tão acentuado que provavelmente não mereçam ser lidos. E isto não por conta do tipo de público ao qual se dirige este blog — os textos aqui são dirigidos a todo e qualquer público. Simplesmente porque não é possível para o autor dessas linhas ter um domínio sobre a teoria sociológica que lhe permita propagar enunciados sociológicos originais e válidos da mesma forma que alguém que se dedique a esta prática profissionalmente. Entretanto, para que este problema seja resolvido, é necessário, do ponto de vista da Sociologia ou, pelo menos, da perspectiva da Metodologia e da crítica metodológica, que se aponte quais as falhas existentes que nem sempre serão vistas pelo autor. Dito de forma mais simples: a crítica é bem vinda.
Mas não toda. É necessário dizer que os problemas apontados terão de ser ditos, enfocados e tratados tendo em vista a Metodologia das Ciências, isto é, não se levará em conta qualquer tipo de comentário pretensamente crítico que não leve em consideração uma forma básica de Sociologia e que não tenha, ao menos logicamente, uma estrutura discernível. Se os comentários ou críticas basearem-se em formas que não possam ser justificadas ou explicadas logicamente, não serão respondidos. Tampouco serão publicados no corpo deste blog. Aqueles que atenderem uma forma lógica mínima ou que consistirem em dúvidas serão prontamente respondidos.
É necessário dizer, também, que aqui se parte do princípio da unidade metodológica da Ciência, isto é, de que toda ciência compartilhe da mesma gramática profunda de seu discurso, ou seja, que toda a ciência esteja arquitetada de acordo com um corpo de regras lógicas e epistemológicas comum. Não importa se se trata da Geografia, Sociologia ou Geologia, Biologia e Química. As diferenciações que existirão entre uma e outra tratar-se-ão de não mais que arranjos teóricos e técnicos que dizem respeito a natureza do objeto explicado por cada uma, visivelmente diferentes quando se trata, por exemplo, da Sociologia ou da Biologia. Não se pode usar a Hermenêutica Compreensiva para explicar a mitose celular. Assim como não se pode usar a Teoria da Evolução para explicar o processo histórico. Os objetos da Biologia e Sociologia são distintos e exigem enfoques teóricos igualmente distintos, ainda que, ao fim e ao cabo, gozem do mesmo estatuto científico.
O entendimento da Ciência pode ser melhor compreendido tendo em vistas obras como “A lógica da pesquisa científica”, de Karl Popper, ed. Cultrix/Edusp e alguns dos muitos textos metodológicos de Max Weber. Aqui se faz necessário um domínio mínimo de questões metodológicas. Em suma, será, inicialmente, a partir de premissas popperianas e weberianas que será entendida a Ciência e a Sociologia, mas não apenas delas. A Metodologia é ampla e não se resume à obra desses autores.
O segundo aspecto a ser tomado em consideração é que qualquer tomada de posição de valor será executada no Totalidade de forma clara e precisa. E isto porque não é possível, jamais, escrever um o texto, qualquer que seja, sem um mínimo posicionamento de valor. Quando se tratar de um fenômeno de ordem estritamente política, como costuma ser o tratamento dado à questão da dominação política (principal tema deste blog), o uso do instrumental teórico será dado claramente. Assim como serão feitos, de modo igualmente claros, os juízos de natureza política. Se, por exemplo, o objeto de enfoque seja um dado Estado dentro do Sistema Internacional, a explicação das ações deste Estado tenderá a seguir a Teoria Realista das Relações Internacionais. Não é necessário a explicação do que vem a ser esta teoria por ora. Por enquanto, um mínimo conhecimento da bibliografia da área se faz necessário, em especial da obra da Raymond Aron.
Quando um certo posicionamento teórico for por demais influenciado por critérios de valor e não ficarem claros quais são estes, não será obrigação do autor explicitá-los. Isto porque talvez estes valores que nortearam sua conduta não seja claros sequer para ele. Para isso restará a crítica dos que se dedicam a leitura deste árido weblog. Entretanto, a aceitação do comentário ou crítica não se fará sem antes uma crítica do mesmo. Ou mesmo uma tentativa de análise do mesmo.
Por ora, é de se acreditar que esses esclarecimentos sejam suficientes para a continuidade da publicação deste weblog.

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