quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Dever ser e ser

Tomar uma posição favorável a um grupo político não indica, jamais, que este seja superior moral ou intelectualmente ao que se lhe opõe. A escolha clara e enfática cala-se quanto a isso e, exatamente pela clareza e veemência com a qual é dita, dá margem à equivocadas interpretações.

A escolha tem que ser feita, irremediavelmente, pois soluções utópicas não existem, a não ser no que respeita ao dever ser. O ser, como se vê, requer a ação a exige, virilmente, que a escolha seja feita.

A posição de juiz imparcial, talvez sirva à filosofia. Na política real ela é tão somente um engodo e dificulta a compreensão. Daí novamente, a necessidade de, mais uma vez, lembrar o que Aron diz:

"Mais vale compreender a diversidade dos mundos existentes do que sonhar com um mundo que não existe mais, porque a realidade não é agradável."

Raymond Aron, Paz e guerra entre as nações, p. 203.

Ou de forma algo mais direta e rude - de acordo com a crueza do mundo - não é porque os conflitos humanos sejam sangrentos e injustos que isso poderá servir de justificativa para não se tomar parte em um dos lados. Não é porque sejam "vis", que se pode deixar de vê-los como são. É um dever de integridade moral tomar parte. A posição 'imparcial' mascara prepotência e covardia de quem está preocupado como o que deveria ser e fecha os olhos covardemente diante da realidade.

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