sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

O Reino Unido e a Política Realista

O espírito pacifista e o ideológico no que toca à chamada 'auto-determinação dos povos' não é mais importante que o interesse estratégico do Estado. E para a manutenção do que se pode compreender como interesse estratégico é sempre necessário, para qualquer Estado, que se mantenha forças armadas capazes. Não é possível salvaguardar interesses externos sem a possibilidade do uso da força.
Tony Blair, premier britânico, é sensato ao apoiar as ações militares britânicas na defesa dos interesses tidos como britânicos. Ainda que essas ações sejam vinculadas, também, à política norte-americana, é sabido que os interesses estratégicos britânicos e norte-americanos são de certo modo fundidos. Desde que, a partir da Segunda Guerra Mundial, o Império Britânico cedeu sua prevalência, em todo mundo, para os EUA o fez não com resistência, mas como uma aceitação de seu papel de uma potência de segundo nível se comparada a EUA e, no contexto do imediato pós-guerra, à URSS.
Há tempos a marinha britânica não é a senhora dos mares. Ceder esse papel aos Estados Unidos não foi algo agradável, mas em vista de suas afinidades políticas e culturais, era o único caminho a ser percorrido.
A perda da prevalência fôra tal que, em 1982, os britânicos tiveram importantes perdas na reconquista das Ilhas Falkland-Malvinas, com oito embarcações postas a pique, sendo uma delas a peça mais moderna da Marinha Real , o HMS Shiffield. Dessa vez o que outrora foi uma colônia, a Argentina, pôde com uma aventura insensata do então ditador argentino, Galtieri, mobilizar toda a Marinha Britânica. A Guerra não se tornou um problema maior para os britânicos em vista do apoio velado do Chile. Este, ao apoiar britânicos e terem um histórico de rivalidades com os argentinos, obrigaram a Argentina a manter o principal de suas forças longe do conflito.

Não se quer aqui, atacar a 'glória' das forças britânicas ou fazer menção à sua decadência. O que é óbvio, e Tony Blair parece sabê-lo com clareza, é que se se quer manter uma política ativa, é necessário, sempre, lançar mão do uso de forças militares. Os britânicos, também não estão interessados em reviver as glórias passadas. Isso seria ridículo. Ainda mais se se levar em consideração o passado imperialista britânico, altamente eficaz em dominar populações e territórios imensamente maiores que as Ilhas Britânicas.

No momento presente, a situação internacional altera-se gradativamente. O que outrora eram territórios coloniais, como a China ou a Índia, despontarão, em menos de cinqüenta anos, como grandes potências. Provavelmente de vocação terrestre e não marítima, como a Grã-Bretanha e os EUA. A Rússia, será provavelmente, ainda, a maior potência terrestre. Diante da aparente recusa da União Européia em seguir um caminho realista para sua política externa, o caminho defendido por Blair, simples e óbvio no contexto europeu, é exemplo de que ainda existem políticos realistas não dispostos a aceitar o papel defensores da paz como máscara para a impotência militar.

Sobre a defesa de Blair ao uso dos meios militares, ver reportagem da Folha de São Paulo.

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