quinta-feira, 1 de março de 2007

Notas incompletas sobre o Sistema Internacional

Rússia

Com crescente entusiasmo os russos têm hostilizado os EUA. A troca de rusgas diplomáticas começou desde que os norte-americanos avançaram em sua intenção de colocar um escudo anti-mísseis nos países da Europa Centro-Oriental, a partir de fins de janeiro. A impaciência russa tem, também, outro motivo: o governo russo acredita que a partir de abril os EUA devam lançar o seu ataque contra o Irã, por mais que o governo persa compre bons armamentos dos Bandeira Russarussos e tenha tratados importantes com os mesmos, dificilmente a Rússia fará qualquer coisa. É sabido que o cinturão do poderio americano ficará mais apertado em caso de ataque ao Irã. As forças norte-americanas estão presentes no Iraque e Afeganistão, provavelmente os EUA não invadirão o território iraniano por via terrestre, apenas farão um ataque aéreo — o que dará certa folga aos russos.

Putin tem conduzido o governo russo de forma exemplar, ainda que seja questionável se se levar em conta o que o Ocidente toma com importante, isto é, o Estado Democrático de Direito, coisa que o Estado russo não é, ao menos em termos estritos. Mas trata-se de um arranjo político distinto e está funcionar às mil maravilhas.

Embora a Rússia tenha certas vantagens estratégicas sobre seus rivais norte-americanos, como o território e recursos de todo tipo, a Rússia sistematicamente tem falhado em diminuir a queda de sua população, que em 2006 foi de -0,39%[i], ainda que o Estado esteja a tomar medidas amplas para contornar a situação. Além disso, o quadro de suas forças armadas ainda não se recuperou e os investimentos militares, apesar de grandes, ainda são insuficientes para competir com os EUA. Ainda que a Rússia seja uma superpotência, não poderá ser sem uma grande população, exército e economia.

Embora o quadro seja desconfortável apenas tendo em vista os EUA — sem contar ainda o novo rival estratégico que desponta, a China —, recentemente os russos conseguiram firmar um protocolo de intenções com o governo francês no qual este demonstra vivo interesse na compra de material bélico russo. A França, provavelmente o mais poderoso membro da Otan depois dos EUA, coloca assim por terra o discurso ideológico da superioridade técnica Ocidental.

Iraque

A onda de violência certamente não cessará tão cedo. Por outro lado, parece que a população iraquiana tem criado, finalmente, certa resistência em relação ao atentados terroristas ora freqüentes no Iraque. E isto em localidades de predominância sunita e xiita. Se os esforços do governo títere iraquiano derem certo, é provável que a situação melhore. Todavia, enquanto sírios e persas bancarem o tráfico de armas para o território iraquiano, qualquer esforço será inútil. Sob outros aspectos, tem sido comum dizer que os EUA ‘perderam a guerra’. Nada mais equivocado. Os EUA mantém menos de 150 mil homens em armas no Iraque, que é um território de quase meio milhão de quilômetros quadrados e mais de 26 milhões de habitantes. As tropas que lá existem são insuficientes, o que demonstra que os EUA talvez não estejam tão preocupados com uma pacificação imediata do território. Se fosse pra valer o fariam com mais homens.

Quanto ao mais, o recrudescimento das relações entre o Irã e os EUA apenas indica que a permanência norte-americana será muito mais longa do que se imagina. Caso isso não aconteça, o Iraque ficará sob a órbita de influência iraniana e, talvez, russa — o que definitivamente não interessa aos EUA.


[i] Ver o site da Agência RIA Novosti, http://en.rian.ru/.

2 comentários:

  1. Olá, Fabrício,

    Li seus artigos intitulados "notas incompletas sobre o Sistema internacional", gostei muito, mas, na parte I, acerca da política interna e externa levada pelo - ao meu ver - inconsequente presidente Putin, em nada coloca a Rússia, em contexto europeu, numa posição segura e estável. O que me leva a crer ser excessivo derivá-la (a própria Rússia) como potência que segue às mil maravilhas. As recentes querelas com o governo polonês sobre as fontes e oleodutos de petróleo na região e as ameaças à Alemanha, Polônia e,por extensão, União Européia, sobre o corte do fornecimento de energia na região é uma política demasiada arrogante e ofensiva por parte dos russos. O desastre diplomático nas negociações sobre o gás na Bielorrússia só demonstram o quanto a Rússia é e está debilitada democraticamente e em suas relações com os países circunvizinhos.Além de afastá-la, por definitivo, de uma possível aproximação com a união Européia: pelas reservas polonesas e alemãs.
    Porém, creio que a Rússia tomará um grande período de crescimento, embora isolada, dada sua economia agressiva e os esforços em ser referência na produção de capital científico nas áreas de gestão de empresas e desenvolvimento de negociações comerciais. Agora, não deixo de notar a debilidade das circunstâncias que o faz, e no preço em credibilidade internacional que terá de arcar.

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  2. Acredito que a posição dela, na questão fornecimento de petrólelo não seja tão ruim. Vende-o a um preço mais baixo. A 'arrogância' parte mais dos países do antigo bloco socialista, como a Bielo-Rússia e a Polônia e dos demais países desse extinto agrupamento político que jogam de acordo com seu interesse, ora favorável à UE, ora à Rússia.

    Quanto a 'debilidade democrática' acredito que não exista. Desde que Putin está no poder, a centralização política aumenta em detrimento da democracia. Acredito que falar em apenas pelo aspecto diplomático faça mais sentido.

    Mesmo assim, veja o que os russos ainda aprontam pela Ucrânia.

    Quanto ao mais, acredito que a Rússia não esteja em má situação. É uma superpotência e não dão ponto sem nó. E a Europa, apensar de economicamente importante, é um verme militar (considerando todos os membros).

    No futuro aposto que a Rússia usará a força para reconquistar Ucrânia, Bielo-Rússia. E duvido que os europeus ou quem quer seja peguem em armas para fazer algo. É apenas uma questão de tempo. Com os planos de remodernização de seu armamento, a Rússia pode-se tornar mais capaz de ações militares mais ambiciosas já em 2015 - recuperando-se completamente do fiasco que foi a transição para o capitalismo com Iteltsin.

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