sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Brasil e Venezuela

No recente encontro entre os presidentes de Brasil e Venezuela, ficou claro que o Brasil efetivamente desenvolverá dois grandes projetos, o Gasoduto do Sul e a Refinaria de Abreu e Lima, no Estado de Pernambuco, com a Venezuela. E mesmo sem ela. É por isso que Hugo Chávez, ainda nesta visita, diminuiu o tom da sua sempre verborrágica crítica.
O Estado brasileiro oferece-lhe a oportunidade de participar de projetos estratégicos e de se associar à maior economia da América do Sul. Isto leva à integração e aumento do dinamismo econômico. É quase um oferecimento do governo brasileiro. É um negócio ao qual não se pode dizer não, pois é sabido que o Brasil pode levá-lo a efeito mesmo sem a chance de se integrar economicamente com seus parceiros ao norte ou ao sul. A dinâmica econômica brasileira sempre esteve focada no seu mercado interno, imensamente grande. A associação a outros mercados regionais, na nossa periferia, aumenta a velocidade desse processo, que poderá dar frutos melhores, não apenas para o Brasil, mas principalmente para aqueles que não contam com os mesmos atributos: uma população imensa, fartos recursos naturais e o gigantesco mercado interno.
Assim, a alternativa de Chavez é participar ou não. Ao Brasil isso dará uma vantagem estratégica bastante grande, pois poderá, finalmente, satelitizar as demais economias da América do Sul sob a sua órbita, como já acontece no Mercosul. E isto não porque o Brasil seja uma potência imperialista ou gananciosa. Simplesmente é muito grande. Não há como lhe ignorar tal característica.


Portanto, Chávez, a Venezuela, enfim, têm como alternativa continuar como uma economia de enclave, baseada do petróleo, dependente das exportações para os EUA (quando estes promovem políticas estratégicas exatamente focadas na diminuição da dependência do petróleo), ou se associar a outros países. Neste caso o outro país é o Brasil. É a única alternativa viável a Chávez. Ou acaso alguém julga que Cuba ou o Irã pode oferecer uma alternativa de intercâmbio melhor?

Não podem. É por isso que Chávez diminuiu o tom da sua desagradável verborragia. O Brasil é muito maior e fatalmente engolirá a Venezuela. E a alternativa é ser engolido pelos EUA ou pelo Brasil. Na situação presente, em vista das grandes diferenças de escala econômica entre Brasil e EUA, o realismo político, assim como a sua ideologia, dizem a Chávez para se voltar ao Brasil. Ambos ganham. E Chávez fica mais manso e menos cansativo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário