domingo, 18 de novembro de 2007

Reservas estratégicas de petróleo

Os veículos de imprensa brasileiros fizeram enorme alarde acerca descoberta de uma grande reserva de petróleo na Bacia de Santos, o campo de Tupi, o qual colocaria o Brasil na categoria dos países que possuem grandes reservas de petróleo no mundo, aumentando as reservas brasileiras em cerca de 50%.

Assim, as reservas brasileiras, que estão em cerca de 12,2 bilhões de barris chegariam a 18,3 bilhões. Se disse, no entanto, tanto nos meios midiáticos, quanto no executivo nacional, que o Brasil passaria a ser um exportador de petróleo ou, quiçá, que este seja um objetivo digno de ser alcançado.Maiores reservas de petróleo provadas: Arábia Saudita, Canadá, Irã, Iraque, Emirados Árabes, Kuwait, Venezuela, Rússia, Líbia, Nigéria, Estados Unidos, Brasil.

Entretanto a descoberta, mesmo com sua magnitude, não faz do Brasil um país rico em petróleo ao ponto de se tornar um grande exportador se comparado a outros países. Na estimativa presente no CIA World Factbook 2007, em 2006 o Brasil possuía a 15ª maior reserva de petróleo, correspondendo a pouco menos de um décimo da reserva do Irã, terceira maior do mundo com 132,5 bilhões de barris; ou um vinte avos da maior, a saudita, correspondente a 261,9 bilhões de barris; ou cerca da sexta parte da reserva venezuelana, de 75,27 bilhões de barris.

Com o substantivo aumento das reservas, o Brasil passou a ser a décima segunda reserva do mundo, superando a chinesa e algo próxima à dos Estados Unidos, maior consumidor e, note bem, importador mundial, com reservas estimadas em 21,37 bilhões de barris.

O Brasil, porém, é o nono maior consumidor mundial de petróleo, a frente de países como a França, Itália e Reino Unido, com perspectiva de aumento acentuado do consumo dado o crescimento médio da economia ser superior, por exemplo, ao do Canadá ou Alemanha. Além disso, o fato do Brasil ser facilmente caracterizável como uma nação em desenvolvimento ou emergente, de acordo com termo da moda, com desigualdades estruturais importantes, indica que com o passar dos anos, o aumento se dê numa escala ainda maior. O desenvolvimento econômico fará com que uma quantidade maior de cidadãos possam usufruir de bens e serviços. Mais cidadãos possuirão automóveis, farão mais viagens aéreas ou pelas estradas; aumentarão a quantidade de eletrodomésticos em suas casas, etc. Tudo isso contribuirá para o aumento da demanda de energia.

Considerando esta possibilidade e o próprio nível do consumo nacional, não é uma alternativa inteligente buscar a posição de exportador de petróleo. As reservas, ainda que grandes, não o são a ponto de justificar um grande volume de vendas externas.

As exportações, ao contrário, deveriam ser evitadas, de modo a preservar as reservas descobertas. Isto porque a manutenção de um bom nível de reservas garante segurança, em caso de problemas internacionais – sejam eles quais forem – e uma vantagem estratégica considerável. Este tipo de estratégia é observado nas políticas promovidas pelos Estados Unidos: consomem aproximadamente 20 milhões de barris diários, dos quais mais de 60% são importados. Possivelmente os EUA poderiam obter o seu petróleo apenas das suas próprias reservas naturais. Entretanto, dada sua estratégia de longo prazo, não o fazem.

Maiores consumidores de petróleo: EUA, China, Japão, Alemanha, Rússia, Índia, Canadá, Coréia do Sul, Brasil, França, México

A outra vantagem de não se tornar um exportador de petróleo consiste em não promover um aumento da oferta internacional do óleo, pressionando os preços para baixo. Se a auto-suficiência foi alcançada, é importante praticar um preço, internamente, que seja vantajoso para a economia nacional ao mesmo tempo que possibilite diversificação da matriz energética, com a especial ênfase adotada atualmente na biomassa – etanol, biodiesel, além da escalada da energia tida como a mais segura e menos poluente, a nuclear – ainda que grupos, tais como Greenpeace digam que não; trata-se de um discurso ideológico com vistas a manter os países que estão na periferia do sistema internacional exatamente onde estão. O que é dito em boa parte da Europa é justamente o contrário – exemplificado pelos altos financiamentos dedicados, por exemplo, à pesquisa da fusão nuclear.

Quanto ao mais, a presença norte-americana no território iraquiano, como agora, inflacionará os preços internacionais por algum tempo. Ainda que o Iraque possa ser um problema, o maior é a Venezuela. Mas talvez apenas televisivo. Hugo Chávez, é dado à prática de uma verborragia intensa, em certo aspecto é apenas um falastrão, pois jamais interrompeu o envio do petróleo aos EUA, dos quais são os maiores fornecedores.

A situação atual força os preços internacionais do petróleo pra cima. Isto interessa aos vendedores do óleo e a alguns outros países, como Brasil e EUA. O primeiro por ter uma vantagem estratégica na produção de energia a partir da biomassa. O segundo, também, mas em menor medida. O que se tem que fazer, ambos – e provavelmente serão bem sucedidos nessa empreitada – é cristalizar o mercado internacional de biocombustíveis. E no caso brasileiro isto é ainda mais premente, pois ainda não existem mecanismos de controle e regulação de mercado eficazes.

Para os objetivos delineados possam ser alcançados, é de vital interesse que o controle da produção, regulação de preços e exportação do petróleo sejam feitos de maneira cuidadosa, sem a perspectiva do Brasil entrar na Opep. O que, à primeira vista, é um devaneio descabido. Além de tudo, a política de biocombustíveis tem a vantagem de estar de acordo com o discurso ideológico ambientalista – o qual será tratado aqui em momento oportuno.

2 comentários:

  1. preety interesting but i didn`t understand much....anyway very good topics!!!!!keep up the good work!!!!

    ResponderExcluir