sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ambiente metafísico

Marco Aurélio Mello, ministro do TSE, disse que não atua em ambiente político, ao ripostar uma assertiva do Presidente da República. Ora, se ele, ministro do Tribunal Superior Eleitoral, não atua em ambiente político, qual é o tipo de ambiente que ele atua?

Metafísico?

O simples fato de ser ministro, explicitamente, dá caráter político ao que quer que o ministro faça enquanto estiver a ocupar tal cargo público. É evidente.

Se ele nega aquilo que toda a gente sabe, simplesmente quer tergiversar, como um advogado dado a chicanas forenses.

Walter Nunes, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Ajufe, disse que ambos erraram, segundo a agressivamente tucana Folha de São Paulo. O Presidente, por ser, talvez, áspero demais, pois os poderes constitucionais merecem respeito. E o ministro, quiçá, por fazer chicanas.

É possível perguntar, entretanto, se tanto o ministro Marco Aurélio Mello, quanto o presidente da Ajufe, não se incomodaram quando Arthur Virgílio e consortes disseram que iriam "dar bifas" no Presidente da República. Melhor, quando da votação da CPMF, o mesmo senador tucano, disse que não iria votar nela não apenas porque não concordava com a situação, mas também porque não queria que eles (leia-se a situação, a Presidência da República, constitucionalmente estabelecida e legitimamente eleita, a voz do povo, enfim) não "gastassem o dinheiro".

Mas nenhum procurador, juiz, senador ou deputado manifestou-se sobre o desrespeito a Presidência da República, eleita pelo voto soberano. Não é o Lula, apenas, que foi desrespeitado, note bem, mas o voto de dois terços dos Brasileiros.

É crime de lesa-majestade. E no caso da CPMF, é um crime contra a segurança nacional, bem dizer um golpe de Estado. Entretanto, ninguém, seja no judiciário ou no legislativo, mencionou tal fato. E se mencionasse, certamente a imprensa faria uso do mesmo expediente que o ministro Marco Aurélio Mello fez para obscurecer o entendimento alheio. Diriam estar longe da política e estar comprometidos com a "verdade".

Marco Aurélio Mello é tucano demais para estar no TSE. É evidente. E Arthur Virgílio deveria estar preso sob o regime disciplinar diferenciado. Desrespeitar o voto de dois terços dos brasileiros merece a mais exemplar das punições.

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