quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Israel e o cair das cortinas do Hamas

No cair da cortinas do ano de 2008, o Estado de Israel, depois de oferecer um prolongamento da trégua existente desde o dezenove de junho deste ano, recebeu persistentes — e inócuos — ataques de foguetes realizados pelo Hamas a partir da Faixa de Gaza.

Um prolongamento do acordo de cessar fogo foi oferecido por Israel. O Hamas não apenas não aceitou como ameaçou com ‘duras retaliações’. A inocuidade da ameaça é significativa e, se se pensar em termos realistas, é também absurda.

O Hamas não está e sequer esteve em posição de barganhar com o Estado de Israel. Talvez, nenhum Estado árabe esteja no presente momento, dada a assimetria de forças e aliados no contexto do Oriente Médio: o Estado de Israel é o ator mais capaz neste cenário, impondo-se sem maiores dificuldades a todos os seus rivais tomados em conjunto, sejam eles a Síria, a Arábia Saudita, o Irã e o Egito.

Desta feita, a verborragia patrocinada pelo Hamas foi apenas eficaz em, talvez, amplificar os preparativos de um ataque a ser realizado por Israel. Os ataques com foguetes feitos pelo Hamas, que não objetivavam nenhum alvo militar em especial, foram inócuos também em não acertar quaisquer alvos civis, se se pensar que causar mortandade era seu objetivo.

Se, por outro lado, pensar-se em objetivos militares, os ataques serviram apenas para deflagrar uma resposta dura promovida com o aço israelense.

Os avisos do Estado de Israel foram simples, claros, objetivos. Refizeram as ofertas de trégua, estas não foram aceitas, deixaram claro que responderiam militarmente aos ataques do Hamas. Reconheceram seu inimigo não nos palestinos, mas nos braços do Hamas, políticos, administrativos e militares.

A mídia internacional e parte da diplomacia das grandes potências clamam — talvez apenas para dizer que não se estão nas tintas com as vítimas civis — por mediação, moderação e cessar fogo. Dizem que o ataque é desproporcional. Ora, o Hamas e os demais atores do cenário internacional sabiam e sabem que qualquer enfrentamento com Israel seria assimétrico. De um lado, Israel, poderoso, do outro o Hamas, na Faixa de Gaza, fracos, com uma base de sustentação composta por um território devastado por anos de conflito, em grande parte com a população na completa miséria. O ataque do Hamas, que sempre esteve cônscio dessa disparidade de forças e condições, não é racional, longe disso. É tão simplesmente um ato criminoso de mentes lunáticas e oportunistas.

O palavrório da imprensa Ocidental parece não levar em consideração os avisos feitos por Israel. Tampouco leva em consideração que o objetivo básico israelense seja solapar o Hamas, intentando a sua eliminação. E a eliminação de fanáticos suicidas, avessos às tradições democráticas e negadores da cultura humanista do Ocidente, é, para qualquer ocidental, seja ele um francês ou cubano, um objetivo político primordial.

Afeita a cair no sabor de um sentimentalismo ingênuo, a imprensa ocidental clama por paz. Manifestantes em todo Ocidente enfrentam a polícia em favor de um grupo que tem como objetivo exatamente eliminar a capacidade do livre desenvolvimento das potencialidades humanas. Brigam e ‘choram’ o sangue dos inimigos do seu modus vivendi.

Não se deve cair na imbecilidade de apoiar fanáticos doentios, como as esquerdas de partes do mundo fazem, mal mascarando o seu anti-semitismo. Deve-se, sim, apoiar a ação do Estado de Israel e ter em vista que não é com o Hamas que se pode negociar, mas sim com o Fatah.

O ataque israelense não é desproporcional e não visa isso. Visa ser definitivo. Que assim o seja.

Um comentário:

  1. Ora, Fabrício, seus comentários fazem sentido quanto ao sentimentalismo ocidental. Não o vejo, porém, em relação à desproporcionalidade dos ataques de Israel. A assimetria de forças é um fato, mas não corrobora com a prática. A saída, a meu ver, não é pela rendição do Hamas pelas armas, senão pela diplomacia. O problema, então está na diplomacia realista israelense que ignora aliados importantes na região como a Turquia. O realismo da ação de Israel irá se chocar com o simbolismo do Hamas. E esse combate é o da propaganda, da diplomacia e dos demais atores da cena internacional.

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