quarta-feira, 31 de março de 2010

Política, telefonia móvel e fichas telefônicas

O Brasil paga a segunda maior tarifa de telefone móvel do mundo. Os brasileiros perdem apenas para os desafortunados sul-africanos. A tarifa média é de R$ 0,50 cá no Brasil. É claro que essa tarifa é nada mais que uma ficção se o presente leitor, assim o como o autor que aqui escreve, usa celular pré-pago.

82,54% dos usuários de telefonia móvel brasileiros usam o infame pré-pago. E a infâmia é dada pelo fato de que a tarifa média é de até R$ 1,40. Mas, claro, para se ter essa enorme vantagem, é necessário viver no mais rico Estado da Federação, São Paulo. E, como não poderia deixar de ser, o mais caro Estado para se viver.

Bem, e essa situação, surgiu metafisicamente? Não, é claro. Tivemos a abertura da Telefonia! E é isso que o cientista político André Regis justifica para se votar, nas eleições de 2010 cá nas terras tupiniquins, em José Serra.

sábado, 27 de março de 2010

Erros sobre o colapso da URSS

Réplica ao artigo do Blog do Nassif Porque a URSS perdeu o bonde de 27 de março.

É  incorreto dizer que a Rússia perdeu "o bonde tecnológico" à época do desmanche da URSS. Afora a expressão clichê, a Rússia se perdeu mais pelo engessamento do seu sistema produtivo. Marx fala em "desgaste moral da mercadoria", daí sempre a remodelação dos produtos para o mercado. Seu modo mais eficaz é a moda. Para além disso, o sistema soviético era incapaz de criar novas mercadorias, o que torna sua legitimidade mais precária se se tem em vista essa capacidade que as economias capitalistas têm: criar novas mercadorias e necessidades. E também, no capitalismo há o que se chama de fetichismo da mercadoria:  a capacidade, via propaganda, de adicionar qualidades, status, atributos vários (elegância, agilidade, etc., o que for) às mercadorias sem que elas efetivamente as tenham.

Adicione-se a isso a abertura política mal executada feita por Gorbatchev. Uma comparação com a abertura econômica chinesa em direção ao capitalismo não seria descabida. Um vez que antes de uma possível abertura política (se é que essa um dia virá sob égide do governo 'comunista' chinês),  os chineses engendraram um sistema capitalista controlado nacionalmente. Se um dia vierem a fazer uma abertura política, dificilmente perderão a legitimidade da mesma maneira que os soviéticos.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Nanociência


Interessante vídeo sobre a nanociência feito pela Universidade de Cambridge, vale a pena conferir. Em inglês, sem legendas.

terça-feira, 16 de março de 2010

Série definições: Relação social

A presente postagem é uma resposta à demanda dos usuários que buscam informações sobre o conceito de relação social dentro da Série definições deste blog.
Índice

Definição contida na Wikipédia em inglês

Na Ciência Social, a relação social ou interação social refere-se ao relacionamento entre dois, três ou mais indivíduos (p. ex. um grupo social). Relações sociais, derivadas da capacidade de ação livre dos indivíduos [agency, aqui, apenas ação], formam a base da estrutura social.  Dessa forma, as relações sociais são sempre um objeto básico de análise para os cientistas sociais. As concepções fundamentais sobre a natureza das relações sociais estão presentes na obra do sociológos clássicos, por exemplo [e fundamentalmente], na teoria da ação social de Max Weber. Outras categorias devem ser estabelecidas abstratamente de modo a possibilitar a formulação de teoria e realizar a investigação social,  tais como comunidade, sociedade, consciência coletiva.

Disputas sobre o processo de investigação do processo social estão relacionadas com debates do núcleo da Sociologia e outras ciências sociais: positivismo (pesquisa quantitativa), antipositivismo (pesquisa qualitativa), estrutura versus ação, funcionalismo, estruturalismo funcional versus teoria do conflito, bem como filosofia da ciência social em si.

Formas de relação e interação

As formas de relação e interação na Sociologia e Antropologia podem ser descritas dessa maneira: as primeiras e mais básicas são análogas ao comportamento animal, referindo-se simplesmente aos variados movimentos físicos do corpo.  Então há as ações — movimentos com significado e propósito. A seguir, os comportamentos sociais ou ações sociais, voltados direta ou indiretamente a outra pessoas, os quais esperam uma resposta do outro agente. Em seguida, estão os contatos sociais, ou seja, algumas ações sociais que formam o início da interação social. As interações sociais, por sua vez, constituem a base das relações sociais [NB!, grifo meu, FAB].
Tais divisões são ilustradas na tabela abaixo:

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ecoterrorista amansado

Al Gore abandona a postura de profeta do cataclismo ambiental e anuncia num ímpeto de entusiasmo que podemos solucionar a crise do clima com folga! Yes, we can!

Apesar do fracasso de Copenhague e da crise do IPCC, Al Gore se diz otimista

O otimismo de Al parece incorrigível. Desde que perdeu a eleição presidencial de 2000 para George W. Bush, o democrata se dedica em tempo integral a pregar obstinadamente sobre os riscos da mudança do clima. Seu evangelho verde se espalha em dois livros, “Uma Verdade Inconveniente” e “Nossa Escolha” (editora Manole). O primeiro originou documentário que levou o Oscar, em 2007, mesmo ano em que ganhou o Nobel da Paz. O Nobel, porém, foi dividido com o IPCC, ora sob investigação. Apesar do golpe na credibilidade da ciência do clima e do fracasso de Copenhague, Gore não se faz de rogado: “Podemos solucionar completamente a crise do clima, com folga”.

Farsa do aquecimento global

O ex-reitor da UNB José Carlos de Azevedo sempre foi um sujeito polêmico. Aqui, ele questionando as conclusões do IPCC sobre as mudanças climáticas.
"Há prova científica sobre a influência do CO2 no clima? Não há. Há prova de que o CO2 nada tem a ver com o clima? Há uma pletora."

O ARTIGO de Myanna Lahsen (Tendências/Debates”, 3/4), em que pretendeu criticar dois artigos que escrevi nesta página, me fez lembrar duas pessoas. O comediante Groucho Marx disse: “Hoje, ciência é o nome do jogo, e, se você conseguir enganar, você está dentro”.

O filósofo Mario Bunge, no estudo “In Praise to Intolerance to Charlatanism in Academia” (“Louvando a Intolerância ao Charlatanismo na Academia”, Anais da New York Academy of Sciences), critica os que falam de ciência e dela nada entendem. Bunge disse que Feyerabend “tem merecido atenção porque, erradamente, admitiram que ele conhece algo de física.

domingo, 14 de março de 2010

Série definições: ação social

De forma ampla, pode ser conceituada como todo esforço organizado, visando alterar as instituições estabelecidas. De forma particular, é conceituada pelos autores que utilizam a abordagem da ação na análise sociológica da sociedade, sendo que os principais representantes são Max Weber e Talcott Parsons. Para Weber, a ação social seria a conduta humana, pública ou não, a que o agente atribui significado subjetivo; portanto, é uma espécie de conduta que envolve significado para o próprio agente. Por sua vez, Parsons tem como ponto de partida a natureza da própria ação: toda a ação é dirigida para a consecução de objetivo. Um indivíduo (ator), esforçando-se por atingir determinado objetivo, tem de possuir algumas idéias e informações sobre os "objeto" que são relevantes para a sua consecução, além de ter alguns sentimentos a respeito deles, no que concerne às suas necessidades; e, finalmente, tem de fazer escolhas. Outro aspecto é a necessidade de possuir certos padrões de avaliação e seleção. Todos esses elementos ou aspectos de motivação e avaliação podem tornar-se sociais por intermédio do processo de interação. Assim, a ação social é vista por Parsons como comportamento que envolve orientação de valor e como conduta padronizada por normas culturais ou códigos sociais.

Comentário

Definição enxuta, simples e abrangente. Retirada de uma fotocópia intitulada "Dicionário de Sociologia". Desafortunadamente, não há referências do autor, obra, etc. A única indicação que permitiria sua identificação é a epígrafe: A Sociologia explica o que parece óbvio a pessoas que pensam que é simples, mas que não compreendem quão complicado é realmente, de Richard Osborne, o qual trabalha na Universidade de Artes de Camberwell em Londres. Um breve resumo da biografia do autor está aqui [em inglês]: http://www.camberwell.arts.ac.uk/39572.htm, a qual diz que ele desenvolveu trabalhos de divulgação científica e lida especialmente com disciplinas vinculadas à arte.

Série definições

Em vista de grande parte dos usuários chegarem em busca de definições de conceitos de amplo uso nas ciências sociais, resolvi contemplar este tipo de visitante. Reproduzirei algumas definições encontradas em língua estrangeira, para além das definições que ora se apresentam aqui (como relação social ou tipos de liberalismo). Desnecessário dizer que quando oportuno, tais definições serão criticadas e/ou complementadas na medida em que meu conhecimento sobre determinado tema permiti-lo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sociologia da imprensa, um programa de pesquisa

Max Weber
Publicado originalmente como Alocução no Primeiro Congresso da Associação Alemã de Sociologia em Frankfurt, 1910 (pp. 434-441), em Max Weber, Gesammelte Aufsätze zur Soziologie und Socialpolitik, Tübingen, J. C. B. Mohr [Paul Siebeck], 1924. Foi utilizada aqui a publicação na Revista Española de Investigaeiones Sociales – REIS, n.o 57/1992, pp. 251-259. Tradução de Encarnación Moya.

O primeiro tema que a Associação de Sociologia considerou adequado para um estudo genuinamente científico é o de uma sociologia da imprensa. Um tema extraordinário, não podemos nos enganar, um tema que irá requerer não apenas meios materiais muito importantes para os trabalhos preliminares, como, de modo algum, poderá ser tratado objetivamente caso os círculos dominantes da imprensa não acolham nosso projeto com grande confiança e benevolência. É impossível, se por parte dos representantes das empresas editoriais e por parte dos jornalistas nos deparamos com a suspeita de que o objetivo da Associação é formular críticas moralizantes sobre a situação existente – é impossível, digo, que alcancemos nesse caso nosso propósito; porque é impossível alcançá-lo se não podemos nos prover, em grande medida, de material procedente precisamente desse setor. No próximos tempos, os esforços da comissão, que será constituída com esse fim, dirigir-se-ão à obtenção da colaboração dos especialistas da imprensa. Por um lado, a colaboração dos teóricos da imprensa, atualmente já numerosos – como se sabe contamos com magníficas publicações teóricas nesse campo (deixem-me lembrá-los de momento apenas do livro de Löbl, precisamente porque, ainda que pareça estranho, é muito menos conhecido do que merece) – e também a colaboração de profissionais no âmbito prático da imprensa. As conversações mantidas até agora alimentam a esperança de que, se estabelecemos, como efetivamente se fará, imediatamente os contatos, tanto com as grandes empresas de imprensa, como com as associações de editores de imprensa e de redatores de imprensa, poderemos contar com essa benevolência. Caso não suceda assim, a Associação não insistirá em, nem promoverá, uma publicação da qual previsivelmente não sairia nada de proveitoso.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Torpor mental e ambiental

Bebê baleado em pacto suicida é encontrado vivo após 3 dias

Uma bebê de sete meses baleada no peito pelos próprios pais sobreviveu depois de permanecer sozinha por três dias até ser encontrada pela polícia, na última quinta-feira, na cidade de Goya, norte da Argentina.

Francisco Lotero, de 56 anos, e Miriam Coletti, de 23 anos, teriam firmado um pacto de suicídio por temerem os efeitos do aquecimento global. Assim, eles mataram a tiros o filho de dois anos, balearam a filha de sete meses e se suicidaram.