quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Indicadores de poluição

Foi publicado recentemente nos jornais uma pesquisa sobre os indicadores de sustentabilidade, o chamado IDS 2010 (indicadores de desenvolvimento sustentável) do IBGE. O quenão saiu, em nenhum deles, foi a referência à pesquisa, tampouco a reprodução de dados mais abrangentes, o que é pena, pois a pesquisa perde em visibilidade.

Atentaram principalmente ao fato de que a cidade de São Paulo não é a mais poluída entre as pesquisadas. A mídia noticiou e deu relevo apenas aos índices bombásticos, isto é, aos que renderiam manchete. Vale a pena conferir a íntegra que está aqui.

Demais, depois de ler um bom número de referências à publicação do IBGE, notei que em nenhuma delas (e li apenas texto na internet), exceto a publicações institucionais do Estado, havia a ligação para a página do IBGE com a publicação, disponível para ser baixada na íntegra.

domingo, 12 de setembro de 2010

Notas sobre a imprensa

Como disse no texto anterior, pode-se observar uma crise institucional da imprensa, não dela toda, é claro, mas de uma forma peculiar dela, dominante por muito tempo desde o início da era moderna, a imprensa escrita, alastrando-se, provavelmente, nas suas duas variantes surgidas no século XX, o rádio e a televisão. O termo "velha mídia" é acertado para refererir-se a ela, embora eu prefira "velha imprensa" e se opõe a uma forma mais recente de se fazer a imprensa, baseada em um novo encadeamento de relações sociais.

Da perspectiva sociológica, pode-se supor uma nova organização da imprensa, não baseada unicamente  em  empresas privadas, ainda que estas possam oferecer suporte a essa nova forma, que é baseada na credibilidade e competência do jornalista tomado individualmente; é interessante notar que o jornalista por profissão não seja necessário ou obrigatório nessa nova forma. Na prática, qualquer indivíduo pode sê-lo. O meio material da divulgação da informação, como não poderia deixar de ser, é a internet, o que torna completamente dispensável a figura da empresa privada de imprensa, seja ela pública ou privada, uma vez que por custos irrisórios qualquer indivíduo pode ter um blog ou site e escrever o que lhe apetecer.

Daí a hipótese de crise institucional da imprensa, uma vez que, não obstante a existência da empresas de mídia, elas mesmas têm se tornado dispensáveis ou irrelevantes - e isto é especialmente acertado no que diz respeito à imprensa que está baseada no meio impresso; as tiragens das publicações impressas têm seguido uma curva descendente em número, e as empresas responsáveis por elas assumem que podem deixar definitivamente o meio impresso.

Ao limitarem-se apenas à internet, os outrora grandes veículos de mídia competem pelo público de igual para igual com veículos menores e muito mais numerosos. Neste ambiente a característica mais importante é a descentralização, a rapidez do fluxo de informações e uma capacidade de mobilização única em torno de certos tópicos tidos como relevantes. Daí que também a televisão e o rádio também tenham sua importância diminuída, pelo menos relativamente, pois seu dinamismo e velocidade pode ser superado pelos veículos da internet, que, demais, também têm a capacidade de transmissão de áudio e vídeo em tempo real.

Outro ponto importante, é que as empresas de mídia não têm a mesma capacidade de veiculação de notícias, pois estão aferradas a um modelo empresarial hierárquico que tende a controlar, via chefes de redação, o que pode ou não ser publicado, isto é, o que atende ou não aos interesses ou posições editoriais da empresa. Isto as torna, em relação aos novos veículos, mais rígidas e lentas no processo de divulgação de informação.

Tais empresas estão num modelo em que certos tipos de relação de poder, desde a redação, até mesmo a vinculação da empresa a grupos (políticos, econômicos, etc.), estão a perder importância relativa. Pode-se mesmo supor que tais relações estão em vias de desaparecer. Isto talvez demonstre que a organização das empresas de mídia existentes no momento presente sejam baseadas em relações contrárias às novas relações de poder que se originam da situação atual, marcada por uma forte descentralização e dinamismo, e, mais importante, igualdade. O mais importante, porém, é a falta de percepção desses agentes da imprensa baseados nesse "modelo tradicional", de que o mundo que os cerca mudou e as relações de poder nas quais eles outrora eram atores participantes não existem mais ou estão em vias de se tornar radicalmente diferentes.

Repercussão da matéria falaciosa a qual me referi ontem:

O Blog do Nassif publicou uma análise da matéria falaciosa publicada pela revista Veja. Para além da análise, há uma série de textos versando sobre esse tipo de espisódio, em especial o último. Dentre eles: A velha mídia e a representação da opinião pública e O futuro da mídia tucana.

Idelber Avelar publicou também um texto interessante, no qual relata que o Jornal Nacional não repercutiu a notícia publicada pela Veja, tal natureza primária da falsificação nela contida. Nele há indicação para um artigo, desta vez no site Na prática a teoria é outra


sábado, 11 de setembro de 2010

Revista Veja: veículo de imprensa ou cabo eleitoral?

A revista Veja publicou hoje uma manchete bombástica na sua capa, a qual atribui a atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, participação em atividades criminosas.

Erenice Guerra é a sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil. Ela está lá por indicação da candidata à presidência.  A revista Veja viu, no entanto, necessidade de justificar a reportagem de acordo com o que se pode ler no blog de Reinaldo Azevedo:
“A publicação da reportagem a vinte dias do primeiro turno das eleições fará brotar acusações de que o objetivo é prejudicar a candidata oficial, Dilma Rousseff. São especulações inevitáveis. Mas quais seriam as opções? Não publicar? Só publicar depois das eleições? Essas não são opções válidas no mundo do jornalismo responsável, a atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país.”
É interessante notar a justificativa. Não é comum um órgão da mídia tendo de explicar-se por uma matéria — se é relevante, basta publicar. Se a matéria for efetivamente verdadeira, de que fato advém tal necessidade de justificação? Se a justificação é necessária, é de se supor que seus autores tenham consciência de suas ações passadas. Dito de maneira mais rude: se a justificação é necessária, é porque anteriormente a revista colocou em suas páginas reportagens fantasiosas — e, como é provável, com vistas a prejudicar alguém ou certo grupo político.

A revista se desarma. Diz que deve cumprir bem o papel que reserva a si: a  “atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país”. Não é preciso fazer grande esforço para rememorar em que momento a mesma revista deixou de cumprir o “seu” papel.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

#DilmaFactsbyFolha

Como um jornal se desmoraliza: basta lançar factóides sistematicamente. A credibilidade se esvai e o jornal vira motivo de chacota na internet, como fica demonstrado aqui e no Twitter.

E, para encerrar, uma bem acabada chacota de primeira classe:

Se você assina Folha, é melhor pensar a respeito. Você pode estar perdendo e dinheiro e, pior, tendo a sua inteligência subestimada, isto é, o seu jornal o toma por burro. Simples assim.

Entre as coisas publicadas no Twitter, para o bem da desmoralização da Folha de São Paulo, se pode ler:

iavelar Dilma crackeia @folha_poder, acusa blogueiro de "bullying", chama a top tag do país de paredes e desmoraliza FSP de vez #Dilmafactsbyfolha.

a_vinagre FOLHA PODER: "Por que Dilma lutou contra a democracia de Costa e Silva/Médici? É isso que o povo quer saber, dona Dilma!" #DilmaFactsByFOLHA


LVanderleiZanon @jesusdivino: Folha revela #Dilma incentivou Eva dizendo: "Come boba, emagrece!" #DilmaFactsByFolha

lcoimbra Por ordem da Dilma, bancada do PT votou contra a Lei Áurea. #DilmaFactsByFolha

leomalta Foi Dilma que lembrou a Noé de colocar um casal de mosquitos da dengue na Arca. #DilmaFactsbyFolha

Para uma análise melhor e assertiva sobre o acontecimento ver #DilmaFactsbyFolha: Crônica da Desmoralização de um Jornal, na página de Idelber Avelar.