segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Entreguismo: o jeito tucano de se fazer política

Entreguismo é a maneira pela qual se entrega riquezas de um país, isto é, seus recursos naturais, empresas e o que mais for possível à exploração de multinacionais, englobando também acordos benéficos a entes alienígenas aos interesses nacionais. Há argumentos vários para sua defesa, a maior parte deles baseados em posições que poderiam ser ditas como ideológicas no seu sentido forte, isto é, posições que dependem do falseamento da realidade para serem defensáveis.

O mais recente deles é a defesa do regime de concessão feito pelos tucanos na presente disputa eleitoral contra o sistema de partilha para a exploração do pré-sal. Esta é a maior reserva de petróleo descoberta nas últimas duas décadas. Trata-se de uma riqueza sem par que é propriedade de todos os brasileiros.

No entanto, os tucanos vivem a dizer que o Brasil não tem tal ou qual capacidade de investimento. Diziam até recentemente que não se podia fabricar uma plataforma de exploração de petróleo no Brasil. Veio o governo Lula para e disse o contrário — e mais importante, fez o contrário: começou-se a fabricar plataformas de exploração aqui e não algures no Canadá, Coreia ou Cingapura.

Hoje, na Folha de São Paulo, Luis Paulo Vellozo Lucas, do PSDB, disse que a Petrobrás não tem dinheiro para explorar o pré-sal e tampouco o Estado Brasileiro.  Esse mesmo partido, na voz de outros representantes seus, dizia que a economia brasileira não poderia crescer mais que 4% ao ano. Este ano, 2010, o Brasil crescerá 7,5% de acordo com as projeções. O PSDB defendia o arrocho das contas públicas e a austeridade fiscal quando veio a crise de 2009, a pior crise do mundo capitalista desde 1929. E o que o governo Lula fez? Exatamente o contrário. Para evitar a depressão econômica, promoveu políticas anticíclicas e a gigantesca crise econômica converteu-se aqui em uma insípida marolinha.

Em um passado recente, nos anos de 1997 e 1998, qualquer crise econômica regional, como foram as dos chamados tigres asiáticos e a da Rússia, repercutiam de maneira violenta no Brasil graças à posição de vulnerabilidade que o PSDB, chefiado pelo deslumbrado FHC, colocou o Brasil. A venda do patrimônio público brasileiro promovida pelo governo tucano, num abjeto desmonte do Estado,  não foi o meio para evitar tais desastres. Ao contrário, foi a maneira pela qual tais crises se intensificaram, pois diminuía a capacidade de ação e decisão nacional em cenários econômicos adversos. A falta de investimento público piorava desmedidamente as possibilidades de recuperação que só não eram piores dado o já enorme mercado interno.

Agora os tucanos voltam à carga defendendo o que existe de mais abjeto para o interesse nacional: a venda do patrimônio brasileiro aos estrangeiros por mais uma vez. Já não estão fartos disso? Não se fartaram de financiar as privatizações de empresas brasileiras com o dinheiro público? Sim, esses políticos tucanos, num ímpeto de rapinagem não só venderam as estatais, como financiaram a venda delas a entes estrangeiros com dinheiro do BNDES! Há maior descaramento? E querem voltar a defender tais absurdos. O PSDB representa o entreguismo no estado da arte. Venderam, por exemplo, a Vale do Rio Doce por 3,3 bilhões de dólares e hoje, misteriosamente, ela vale mais de 150 bilhões? Essa majoração do seu preço não se dá apenas porque ela “cresceu”, ou porque as vendas de minério aumentaram mais de 125% (o valor da empresa aumentou em mais de 45 vezes!), mas fundamentalmente porque ela foi vendida por um preço muito aquém do seu valor de mercado.

Os tucanos vem agora defender que a Petrobrás não dinheiro para investir no pré-sal. Ora, se não tem, que acumule-se capital e divisas o suficiente para que se possa investir. E o governo do PT é exemplar nesse aspecto. A Petrobrás valia cerca de 15 bilhões de dólares em 2002. Hoje vale perto de trezentos bilhões. Como se faz isso? Investindo.

Mas os tucanos dizem que ela não tem dinheiro como justificativa para ceder a patrimônio do brasileiro aos estrangeiros. Se não tem capital para investir, é muito simples: faça os investimentos de maneira mais lenta. Mas não, os tucanos preferem entregar a riqueza para as empresas estrangeiras, as quais, como é costumeiro, vão sugar os poços da maneira que melhor lhe aprouver, uma vez que eles defendem, também, o sistema de concessão e não de partilha. Na concessão, paga-se à União uma taxa pela exploração de determinada área sem exigir qualquer tipo de contrapartida. A partilha, pelo contrário, diz que deverá ser paga uma taxa inicial pela exploração do posso, mas o Estado participará do processo de exploração com a Petrobrás, associada ou não a empresas estrangeiras, decidindo como será feito o beneficiamento e venda dos produtos gerados pelo petróleo. E, demais, há ainda a criação de um fundo social para garantir a distribuição dessas riquezas.

Dito de maneira mais simples: o sistema de partilha não irá vedar a entrada de empresas estrangeiras no pré-sal. Portanto não faltará capital. É falácia, mentira deslavada tucana para vender o patrimônio do brasileiro. O mais importante do sistema de partilha é que o Brasil terá a palavra final sobre como será feita exploração de petróleo e assim o será para garantir o interesse nacional, o interesse do brasileiro.  Por que os tucanos não defendem algo tão razoável? Ora, é de se supor que eles tenham muito a ganhar, afinal não é deles que parte a afirmativa de que fizeram a privatização no limite da irresponsabilidade? E essa gente quer presidir o Brasil
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Negam que queriam privatizar a Petrobrás, tentaram mesmo mudar o nome e, como se pode ver no meu post anterior, há fortes e claras evidências de que queriam vendê-la. Pensam apenas em termos de rentabilidade empresarial. Esquecem-se que uma estatal é uma ferramenta para o desenvolvimento nacional. Visão baça pelo característico entreguismo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Surrealismo político

Às vezes se tem a impressão de que a campanha política do PSDB não é efetivamente o que é. Não parece ter a ver com disputa eleitoral. É muito mais próxima de uma peça, filme ou, melhor, da produção de um documentário surreal. Tanto é, que a atual campanha tem deixado atônitas pessoas que estão acostumadas a acompanhar o jogo político brasileiro.

A capa da revista Isto É desta semana, uma releitura da capa da revista tucana par excellence, Veja, de semanas atrás é exemplar. A reportagem, como não poderia deixar de ser, também o é. Trata-se do desmentido sobre Serra conhecer ou não Paulo Vieira de Souza ou simplesmente Paulo Preto. A revista Carta Capital publicou uma matéria sobre essa figura que causa dilemas na cabeça de José Serra.

Hoje o cientista político Bolívar Lamounier, mais uma vez, deixou de lado qualquer pretensão de fazer um comentário matizado pela sua profissão. No lugar de tentar enquadrar a realidade com os móveis que a Ciência Política tem, Lamounier joga para a sua torcida, azul e amarela de bico grande. Em vez de tentar fazer ciência, desiste e faz propaganda política. A miopia de Lamounier no seu ímpeto tucano é tão acentuada que ele confunde o carisma de Lula, assim como as ações objetivas em prol das populações carentes do nordeste, com messianismo religioso. Miopia maior, descaramento maior, é raro de ser superado. No entanto, há quem supere. José Álvaro Moisés que o diga. Deixou de fazer ciência política para alardear uma posição política em que salta vista um ressentimento abjeto, franco e descarado. Ciúmes do poder.

Continuando com o surreal: o santinho de Serra com os dizeres "Jesus é a verdade e a justiça" é como um tiro no pé. A campanha tucana ainda não percebeu que o eleitorado pode vir a ter uma percepção assaz diferente desse tipo de aproximação religiosa. Crentes de qualquer fé, de uma maneira geral, não gostam que usem a sua fé para uma finalidade terrena. Serra, sem se dar conta, faz algo que nenhum religioso gosta: profanar o sagrado.

Para uma percepção mais cristalina da questão e dessa criação artificial de um canditato, há um interessante artigo publicado no Brasília Confidencial, "Quando a biografia diz não", basta clicar e seguir a ligação.

Por fim, os vídeos abaixo, nos quais a Prof.ª Marilena Chauí tece comentários bastante qualificados sobre o que Serra e os tucanos representam. Assistam. Os vídeos são curtos e assertivos.







Post Script


Há uma coisa importante. FHC disse que não privatizaria a Petrobrás de forma nenhuma, depois que foi citada a presença de David Zylversztajn, ex-genro de FHC, como assessor para área de energia de Serra. FHC, parlapatão que é, nega também que o PSDB queira privatizar o pré-sal, para além da própria Petrobrás e que jamais isso foi cogitado. Embuste, puro e simples, no melhor estilo serrista. A cópia da matéria da revista Veja (ao lado), mostra que as coisas não eram bem assim. Fico a dever a data da revista na qual ela foi publicada. No entanto, a retirei do Blog do Nassif. E sua credibilidade fala por si. Lá, também, encontrei mais uma outra imagem, que desmente de modo ainda mais claro as afimarções dos tucanos. Fala claramente da privatização dos bancos federais, Caixa Econômica, Banco do Brasil e, o que é de pasmar, BNDES - o maior banco de fomento do mundo e peça imprescindível ao desenvolvimento econômico brasileiro. Ao fim do texto, há uma menção que não se presta à confusões de que a Petrobrás também seria vendida.

Apenas para reiterar o que já foi dito: a campanha do PSDB/DEM apela para a mentira em larga escala sem se dar ao luxo ter um  mínimo de sutileza. A cobertura da imprensa, amplamente favorável, ajuda muito nesse comportamento. E assume um tons e nuances inacreditáveis. A entrevista de Maria Rita Kehl  ex-colunista do Estado de São Paulo, dada à revista Carta Capital é exemplar ao comentar o tom e tipo de perseguição que se faz, dentro das empresas de imprensa, às vozes dissonantes.