sábado, 16 de outubro de 2010

Surrealismo político

Às vezes se tem a impressão de que a campanha política do PSDB não é efetivamente o que é. Não parece ter a ver com disputa eleitoral. É muito mais próxima de uma peça, filme ou, melhor, da produção de um documentário surreal. Tanto é, que a atual campanha tem deixado atônitas pessoas que estão acostumadas a acompanhar o jogo político brasileiro.

A capa da revista Isto É desta semana, uma releitura da capa da revista tucana par excellence, Veja, de semanas atrás é exemplar. A reportagem, como não poderia deixar de ser, também o é. Trata-se do desmentido sobre Serra conhecer ou não Paulo Vieira de Souza ou simplesmente Paulo Preto. A revista Carta Capital publicou uma matéria sobre essa figura que causa dilemas na cabeça de José Serra.

Hoje o cientista político Bolívar Lamounier, mais uma vez, deixou de lado qualquer pretensão de fazer um comentário matizado pela sua profissão. No lugar de tentar enquadrar a realidade com os móveis que a Ciência Política tem, Lamounier joga para a sua torcida, azul e amarela de bico grande. Em vez de tentar fazer ciência, desiste e faz propaganda política. A miopia de Lamounier no seu ímpeto tucano é tão acentuada que ele confunde o carisma de Lula, assim como as ações objetivas em prol das populações carentes do nordeste, com messianismo religioso. Miopia maior, descaramento maior, é raro de ser superado. No entanto, há quem supere. José Álvaro Moisés que o diga. Deixou de fazer ciência política para alardear uma posição política em que salta vista um ressentimento abjeto, franco e descarado. Ciúmes do poder.

Continuando com o surreal: o santinho de Serra com os dizeres "Jesus é a verdade e a justiça" é como um tiro no pé. A campanha tucana ainda não percebeu que o eleitorado pode vir a ter uma percepção assaz diferente desse tipo de aproximação religiosa. Crentes de qualquer fé, de uma maneira geral, não gostam que usem a sua fé para uma finalidade terrena. Serra, sem se dar conta, faz algo que nenhum religioso gosta: profanar o sagrado.

Para uma percepção mais cristalina da questão e dessa criação artificial de um canditato, há um interessante artigo publicado no Brasília Confidencial, "Quando a biografia diz não", basta clicar e seguir a ligação.

Por fim, os vídeos abaixo, nos quais a Prof.ª Marilena Chauí tece comentários bastante qualificados sobre o que Serra e os tucanos representam. Assistam. Os vídeos são curtos e assertivos.







Post Script


Há uma coisa importante. FHC disse que não privatizaria a Petrobrás de forma nenhuma, depois que foi citada a presença de David Zylversztajn, ex-genro de FHC, como assessor para área de energia de Serra. FHC, parlapatão que é, nega também que o PSDB queira privatizar o pré-sal, para além da própria Petrobrás e que jamais isso foi cogitado. Embuste, puro e simples, no melhor estilo serrista. A cópia da matéria da revista Veja (ao lado), mostra que as coisas não eram bem assim. Fico a dever a data da revista na qual ela foi publicada. No entanto, a retirei do Blog do Nassif. E sua credibilidade fala por si. Lá, também, encontrei mais uma outra imagem, que desmente de modo ainda mais claro as afimarções dos tucanos. Fala claramente da privatização dos bancos federais, Caixa Econômica, Banco do Brasil e, o que é de pasmar, BNDES - o maior banco de fomento do mundo e peça imprescindível ao desenvolvimento econômico brasileiro. Ao fim do texto, há uma menção que não se presta à confusões de que a Petrobrás também seria vendida.

Apenas para reiterar o que já foi dito: a campanha do PSDB/DEM apela para a mentira em larga escala sem se dar ao luxo ter um  mínimo de sutileza. A cobertura da imprensa, amplamente favorável, ajuda muito nesse comportamento. E assume um tons e nuances inacreditáveis. A entrevista de Maria Rita Kehl  ex-colunista do Estado de São Paulo, dada à revista Carta Capital é exemplar ao comentar o tom e tipo de perseguição que se faz, dentro das empresas de imprensa, às vozes dissonantes.

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