sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Voto impresso, por que não?

Depois de um longo tempo volto aqui dada a discussão sobre a segurança do voto eletrônico e o retrocesso da sua versão impressa. Algumas conjecturas importantes ocorreram-me. E é bastante plausível que o voto impresso não se trate de um retrocesso.

Urna com voto eletrônico impresso

Afinal, se sistemas eletrônicos são seguros, por que os governos russo, chinês, israelense, iraniano e norte-americano preferem um tipo de tática, a guerra cibernética, para tirarem vantagem uns dos outros? Não foi assim que os chineses conseguiram os 'blue prints' do Lockheed-Martin F-35 (que nem está operacional ainda!) e os códigos de seus softwares?

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que os iranianos, que o Ocidente e a mídia lacaia os tomam por broncos, conseguem interceptar, controlar, pousar e, maravilhas, fazer uma cópia por engenharia reversa de um drone: o Lockeed-Martin RQ-170, o mais secreto e furtivo de todos os drones já produzidos pelos EUA?

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que no cotidiano pedestre as pessoas vivem a ser presas fáceis de especialistas em eletrônica tão hábeis em burlar a segurança de certos programas/sistemas? O sequestro de dados, afinal, tem se mostrado uma profícua atividade de pessoas inteligentes e elástica moral.

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que as forças militares de certos países são tão proficientes em desenvolver equipamentos Elint (covert intelligence-gathering by electronic means) e ECM (electronic countermeasure)? Russos e israelenses são especialmente capazes nisso, os primeiros têm até, em seu arsenal, bombas de pulso eletromagnético, capazes, sem nenhuma gota de sangue, de inutilizar qualquer equipamento eletrônico. E, curioso, os norte-americanos têm versões de aviões militares especialmente dedicados à guerra eletrônica há muito tempo, como o EA-6B Prowler, o EF-111A Raven e, desde 2009, o EA-18G Growler, baseado no F/A-18E, aquele mesmo que, entre outros, perdeu a concorrência FX-2.

Se sistemas eletrônicos são seguros, por que desde os anos de 1930, há mais de oito décadas, as potências militares desenvolvem modos de encriptar suas comunicações? A Enigma alemã, largamente usada na Segunda Guerra Mundial e a sua decriptadora, a Ultra, são exemplos bem claros. Alan Turing protagoniza tal processo dramatizado num  belo filme, The imitation game, com Benedict Cumberbatch como Turing - recomendo a toda gente (se alguém viu, veja novamente). Ademais, as máquinas de Turing, depois conhecidas como computadores, nascem exatamente da necessidade buscar uma falha, ou seja, quebrar um código! A Apple em seu logotipo homenageia Turing: uma maçã, talvez envenenada, foi a última coisa que ele comeu.

É da natureza de todo sistema eletrônico a vulnerabilidade e a propensão a falhas (coisas que são reconhecidas em contrato, vide, por exemplo, o seu contrato de uso do MS Windows ou qualquer 'termos e seviços' de porcarias eletrônicas, do seu e-mail ao seu 'internet banking').

Dito isso, não se pode confiar naqueles que dizem que o voto inteiramente eletrônico, sem versão impressa aferível, é seguro. Os que advogam isso não estão apenas desinformados: eles têm um interesse mascarado. Somente uma pessoa incapaz intelectualmente não percebe a natureza dessa 'polêmica' A questão é fundamental, afinal se trata da segurança do processo político e democrático de uma nação de mais de duzentos milhões.

Não há sistema eletrônico online invulnerável. Se alguém diz que existe é um doido de pedra, um ingênuo ou um sobejo canalha - como tantos na imprensa e, provavelmente, na Justiça Federal.