terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Por que falar de Vargas?

Em 2004, quando dos cinquenta anos da morte de Vargas, a AEPET, Associação dos engenheiros da Petrobrás, publicou um texto homenageando-o. As mesmas perseguições que Vargas e, depois, Juscelino sofreram estão presentes hoje, talvez de forma mais acintosa e grotesca.

Grotesca porque, apesar da concentração dos grupos de mídia e sua ação cuidadosamente orquestrada, visa em boa parte mascarar as enrascadas que a própria direita se envolve, como o fato de, por exemplo, Aécio Neves ter sido citado no Circo da Lava Jato e sequer ter sido investigado: ao contrário se preferiu 'investigar' uma canoa de lata de quatro mil reais de Lula e as cebolinhas cultivadas na horta do sítio que não é dele. Mas o que se sabe sobre a meia tonelada de pasta base de cocaína no helicóptero dos Perrela? E o terço do Aécio? A PF, o MPF e o Judiciário tomam partido por traficantes engravatados contra líderes trabalhistas? Ordenam prender um tipo que já está preso (Dirceu)?

A mídia, em conluio agentes públicos tresloucados, que vazam o que lhes convém para criar um factoide por dia, une o insulto à injúria: com perdas e danos. Ano a ano meios noticiosos alternativos crescem e ganham credibilidade, algo que na empresa oligopolista tradicional se dá inversamente: os outrora grandes jornais perdem 10% de suas tiragens ano a ano e ainda conseguem perder relevância inclusive na web dado seu afã na desinformação golpista. O mesmo sucede na mídia televisiva. Não se pode, porém, pensar que esse conluio está fadado ao fracasso. A perda de prestígio relativa os fazem tomar um curso de ação desesperado, com o judiciário não a seguir a pauta midiática, mas por vazamentos altamente seletivos e literariamente engenhosos, ordenar que se prenda alguém que, dias antes havia se oferecido voluntariamente para depor. Nem O Processo de Kakfa foi tão engenhoso.

Como disse um tipo arguto hoje: estamos no pior momento desde o AI-5. Pouco a pouco, nesse afã golpista, os direitos constitucionais estão a ser tolhidos sob as barbas do MPF e do Judiciário, que deveria ser seu defensor.



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