terça-feira, 19 de abril de 2016

Internet ilimitada nunca existiu

O que a Anatel está a fazer ao consumidor com a diminuição da quantidade de dados trafegáveis numa conexão nada mais é que atender um desejo das operadoras. E qual é o desejo? Aumentar os lucros. Sem nenhuma contrapartida. Isso mesmo, querem por franquia porque às operadoras pareceu apetecedor aumentar os ganho às expensas do couro alheio.

E da maneira mais fácil e simples, sem investimentos, sem melhorias, oferecendo menos por mais: isso mesmo, há uma majoração do preço de cada byte baixado pelo usuário sem qualquer justificativa que não a ganância das operadoras.

E não, NUNCA HOUVE INTERNET ILIMITADA! É uma baboseira, uma estupidez obscurantista dizer que antes era ilimitada: a velocidade de conexão, como a vazão de uma torneira, limitava quantidade de dados, quanto mais alta, mais dados. Sempre foi assim, nunca houve nenhum plano ilimitado em nenhum lugar do mundo porque não existe velocidade de conexão ilimitada (se fosse era só baixar a internet e navegar offline. Duh!). Portanto, as pessoas devem parar de acreditar nessa idiotice.

E não há como engabelar o consumidor. Uma conexão relativamente lerda, de 2 Mpbs (conexão na casa de 250kpbs), pode baixar teoricamente cerca 550Gb em um mês. A de 4Mbps (cerca de 500 kilobytes por segundo), cerca de 1,1 terabyte. Mas isso, como já dito, é teórico.

Isso porque a Anatel garante por contrato que as operadoras vendam um serviço ruim, pior que o contratado: elas podem ofertar somente 80% da velocidade e o usuário não pode reclamar - notou que o consumidor já está a levar gato por lebre? E isso faz parte dos regulamentos da infame Agência. Para além disso, tal quantidade de dados somente pode ser atingida se uma dada conexão conseguir, dentro de um mês, 100% de conectividade com a velocidade máxima permitida. Só que isso não existe, a 'torneira' da conexão jamais chegará aos 550 gigas ou 1 tera num caso ou no outro porque há falhas, as operadoras diminuem a velocidade e o serviço costuma cair. Dito de forma mais simples: o serviço já é ruim e isso está e contrato (isto é, é garantido que será ruim)

E, dos teóricos 550 Gb de dados que uma conexão de 2Mbps poderia trafegar, as operadoras querem oferecer apenas 10GB de franquia. No cálculo teórico isso não representa sequer um dia de conexão à plena nessa conexão lenta, que pode baixar cerca 18,6 gigas em 24h. O que vão oferecer é um insulto descabido ao consumidor. Querem sambar na cara do povo: o que você poderia baixar em dezesseis horas será a cota de um mês inteiro!!! E a Anatel apoia as operadoras! Diz que será bom para o consumidor! É surreal, mas é isso mesmo que o cínico do João Rezente, presidente da Anatel, disse. Agência Reguladora? Sim, regula o tamanho da tira de couro que pretende arrancar do lombo do consumidor para dar às operadoras.

João Rezende deve pensar que somos todos idiotas incuráveis, retardados que ficam a babar diante do computador, a digitar com os cotovelos.

Mas João Rezende consuma o escárnio ao consumidor ao dizer que não há mais capacidade instalada para todos. Quer dizer que a Telefónica ao comprar GVT - operadora que não impunha franquia e oferecia as maiores velocidades nas sua área de atuação - teve sua capacidade diminuída? Claro! Seguramente logo após a compra, para deixar tudo no padrão habitual da Vivo, os espanhóis da Telefónica colocaram ratazanas mais vorazes que o Eduardo Cunha para roer o cabeamento de fibra ótica, além de elfos birutas munidos de alicates, marretas e lança-chamas, para deitar abaixo até derreter o cobre dos fios e, assim diminuir, num passe de realismo fantástico, sua capacidade de transmissão de dados.

O que ocorre é que as operadoras  (que também vendem  TV por assinatura) não querem apenas faturar mais, querem ganho fácil e escandaloso. Especialmente sobre o consumidor e sobre empresas que fornecem streaming de vídeos do Youtube, Vimeo, Daily Motion ao Netflix e toda sorte de empresas, escolas, universidades que oferecem cursos à distância - que, nesse modelo se tornarão inviáveis. Afinal em um, dois ou três dias de aulas o usuário consumirá toda a franquia. E como fará o curso? Ou paga mais à operadora ou está lixado. Ou que se lixe ainda mais e pague a modalidade de curso presencial, sabidamente mais cara.

Quem ganha com essa rapinagem evidente são as operadoras e somente elas: terão lucros majorados ao mesmo tempo em que a despesa operacional cairá vertiginosamente. O consumidor, por outro lado, não poderá mais ver vídeos como antes, não poderá fazer cursos online como antes, não poderá baixar programas como antes — e aquele que trampa em casa e depende da internet, trabalhando como designer, programador, consultor, produtor de audiovisual, etc., estará lixado, para não dizer completamente inviabilizado. Mas segundo o Rezende ser escorchado, explorado, pilhado é bom.