quarta-feira, 25 de maio de 2016

O governo da inação


Blairo Maggi saiu-se hoje com a diatribe de que o Brasil não precisa de infraestrutura de armazenagem. Que o que existe aí está muito bem, obrigado. E que a infraestrutura privada (quase inexistente) é melhor e mais competitiva que a pública.

Sim, e Kátia Abreu, ex-ministra da agricultura, era uma parva completa. Aliás, todos no ministério. Estavam a fazer obras desnecessárias, pois a Conab não precisa de obras.

Aliás, se pode ir bem mais adiante: que o modal de transporte hegemônico no Brasil, o rodoviário, é excelente. Que é altamente eficaz e a qualidade das estradas brasileiras é comparável, sem exagero, às melhores Autobahnen alemãs.

No Brasil inexiste atoleiros nas estradas estaduais do Mato Grosso do sul, Pará, Goiás, Tocantins. Tampouco há intermináveis filas de caminhões amontados perto do Porto de Paranaguá toda vez que a safra de grãos é escoada.

E o Brasil não usa o caminhão como uma espécie de 'silo móvel', não só pela ausência de silos de verdade para planejar o escoamento... Pois é, dada esta falta, veio a safra e tem que por tudo na estrada porque não há onde guardar. Mas o Blairo Maggi diz...

O governo interino se notabiliza por ter uma agenda negativa: não diz o que fará, simplesmente trava o que estava a ser feito e diz que menos será feito em vista da retomada de investimentos.

É a melhor pirueta retórica que se pode ter: dizem exatamente que, para retomar o investimento, tem que cortar o investimento, acabar com programas e gastar menos.

E esboçam planos que prevem ainda maior austeridade num fiscalismo tão insano que as propostas apresentadas pelo Ministério da Fazenda não contemplam um eventual aumento da receita tributária - isso mesmo, se aumentar a receita, não se tem previsão de como que e onde usar o dinheiro. Fica-se a imaginar onde vão enfiá-lo.

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