terça-feira, 3 de maio de 2016

Parlamentarismo para ingênuos

Comissão de Ética da Câmara dos Deputados.

Me apetece ver o parlapatão mor da república, encarnada na invejosa e ressentida figura do vice-presidente da República, Michel Temer, a falar em parlamentarismo.

Embora tenha sido outrora reconhecido como um entendedor do direito constitucional, no entardecer da vida, preferiu ele o abjeto papel de urdidor do golpe ao lado da ratazana infecta que preside a câmara baixa do Legislativo.

Mas o que surpreende e mesmo diverte é que esse senhor, não sei se por demência senil ou mau caratismo, fala em trazer à baila, para depois do pleito de 2018, o tema do parlamentarismo.

Isto serve aos ingênuos, aos idiotas, talvez. A forma de governo, como prevê a constituição, deve ser escolhida por plebiscito. E o foi em 1993, quando o presidencialismo foi escolhido pela maioria dos brasileiros. Se querem discutir o parlamentarismo, discutam-o, Recomenda-se até que se faça na Universidade. Vão lá ter com o Limongi.

Ah, querem fazer por via parlamentar? Tudo bem, não há mal nisto. O fato é que para tanto se deve convocar uma nova constituinte. Isso mesmo. Nada de reforma. Só com outra constituição ou plebiscito.

Mas, é verdade, no momento presente serve a Constituição como ornamento do discurso de juízes narcisos afeitos aos seus vetustos brocardos a brilhar como ouro falso. Afinal, o Legislativo liderado por um gângster pode fazer o que lhe der na veneta (certo da obediência dos ratos da câmara baixa) com a certeza de que o Judiciário está-se nas tintas. A isso chamam independência dos poderes. Um republicanismo de bom tipo, matizado por gordos aumentos no ordenado.

Entretanto - e isso é bom - a coruja de Minerva ainda não pousou.

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